Tipos de Esclerose Múltipla: Entenda as diferenças entre Surto-Remissão, Progressiva Primária e Secundária

Tipos de Esclerose Múltipla

Por Dra. Giulianna Mendes Ferrero — Fisioterapeuta Neurofuncional
CREFITO 3: 159232-F
Balance Fisioterapia Neurológica – Moema, São Paulo
Referência em Fisioterapia Neurológica Para Esclerose Múltipla

 

Receber o diagnóstico de Esclerose Múltipla (EM) é, para muitos, o início de uma jornada repleta de perguntas. Talvez você tenha notado que seus sintomas aparecem e somem, ou talvez sinta que, lentamente, certas atividades do dia a dia estão exigindo mais esforço. Essa variação ocorre porque a EM não é uma doença estática; ela se manifesta de formas distintas em cada organismo. Compreender qual é o seu fenótipo (tipo de progressão) é o segredo para ajustar as expectativas e, principalmente, para desenhar uma estratégia de reabilitação neurofuncional que realmente proteja sua autonomia.

Resposta Rápida: Quais são os tipos de Esclerose Múltipla?

A EM divide-se principalmente em três formas: Surto-Remissão (EMSR), caracterizada por crises seguidas de recuperação; Progressiva Primária (EMPP), com evolução lenta desde o início; e Progressiva Secundária (EMPS), que surge após anos de evolução da forma surto-remissão.

O “Mapa” da Progressão: Por que a doença se comporta de formas diferentes?

Na Balance Fisioterapia Neurológica Moema, costumamos explicar aos pacientes que a Esclerose Múltipla é como uma rede de estradas. O sistema imunológico causa “bloqueios” nessas estradas (inflamações na mielina). A forma como esses bloqueios acontecem define o tipo da doença:

  1. Ataques esporádicos: O sistema ataca, causa o dano e depois “recua”, permitindo que o corpo tente consertar a estrada (Surto-Remissão).
  2. Degradação contínua: O sistema mantém um nível de agressão constante e persistente, onde a estrada vai se desgastando gradualmente sem períodos de trégua (Formas Progressivas).

Com a experiência de quem já realizou mais de 8.635 atendimentos, sabemos que identificar essa dinâmica é vital. Não se trata apenas de dar um nome à condição, mas de entender se o foco da nossa fisioterapia será a recuperação pós-crise ou a manutenção preventiva contra a evolução lenta.

1. Esclerose Múltipla Surto-Remissão (EMSR): O vai e vem dos sintomas

Este é o tipo mais comum, diagnosticado em cerca de 85% dos pacientes iniciais. É caracterizado pelos chamados surtos (ou recidivas). Um surto é definido pelo aparecimento de novos sintomas neurológicos ou pelo agravamento de antigos, com duração mínima de 24 horas.

  • Como funciona: Após o surto, ocorre o período de remissão. Durante esse tempo, os sintomas podem desaparecer completamente ou deixar sequelas leves.
  • A dor do avatar: O grande desafio aqui é a imprevisibilidade. O paciente vive sob a “espada de Dâmocles”, sem saber quando a próxima crise virá. Isso gera uma ansiedade profunda, afetando planos de carreira e vida social.
  • Foco da Reabilitação: Na fase de remissão, o foco é a Neuroplasticidade. Aproveitamos a trégua da inflamação para fortalecer as conexões neurais e preparar o corpo para que, caso um novo surto ocorra, a reserva funcional seja alta.

2. Esclerose Múltipla Progressiva Primária (EMPP): A evolução silenciosa

Cerca de 10% a 15% dos pacientes apresentam este tipo. Diferente da anterior, aqui não existem surtos claros seguidos de melhora. Desde o primeiro sintoma, há um declínio gradual e contínuo da função neurológica.

  • Como funciona: O acúmulo de incapacidade acontece de forma lenta e persistente. É comum que o paciente demore mais a receber o diagnóstico, pois os sintomas iniciais (como uma leve dificuldade para arrastar o pé ou fraqueza nas pernas) podem ser confundidos com outras condições.
  • A dor do familiar: Ver um ente querido perder funções lentamente, sem a “esperança” de uma remissão imediata, é exaustivo. O papel do cuidador aqui é garantir que a reabilitação seja constante para frear o avanço.
  • Foco da Reabilitação: Aqui, trabalhamos com o Controle Motor fino e estratégias de conservação de energia. O objetivo é manter o paciente funcional pelo maior tempo possível, utilizando tecnologias como a estimulação neuromuscular para manter o tônus e a força.

3. Esclerose Múltipla Progressiva Secundária (EMPS): A nova fase do caminho

Muitos pacientes que começam com a forma Surto-Remissão podem, após 10 ou 20 anos, evoluir para a Progressiva Secundária.

  • Como funciona: Os surtos tornam-se menos frequentes ou desaparecem, mas a incapacidade começa a progredir de forma constante. É como se o sistema nervoso perdesse a capacidade de se recuperar plenamente entre um ataque e outro.
  • A frustração do paciente: É comum o sentimento de que “o tratamento parou de funcionar”. Na verdade, a biologia da doença mudou, e a estratégia terapêutica também precisa mudar.
  • Foco da Reabilitação: Utilizamos ferramentas como o Biofeedback e a Realidade Virtual para desafiar o cérebro em ambientes controlados, focando na adaptação funcional e na manutenção da independência nas atividades de vida diária (AVDs).

Diferencial Balance: Por que a abordagem neurofuncional em Moema é única?

Na Balance Fisioterapia Neurológica Moema, entendemos que não existe um protocolo “receita de bolo”. Para cada tipo de EM, aplicamos tecnologias específicas:

  • Laserterapia de Baixa Intensidade: Fundamental para modular o estresse oxidativo nas células nervosas, auxiliando tanto na recuperação pós-surto quanto no manejo da fadiga crônica das formas progressivas.
  • Manobra de PNF (Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva): Essencial para pacientes com EMSR que precisam recuperar padrões de movimento perdidos durante um surto.
  • Treinamento de Marcha com Tecnologia: Para pacientes com EMPP ou EMPS, o uso de sensores e feedback em tempo real ajuda a corrigir o “pé caído” e a instabilidade, prevenindo quedas graves.

Sinais de Alerta: Quando a progressão exige intervenção imediata?

Independentemente do seu tipo de EM, alguns sinais indicam que o sistema nervoso está sob estresse e precisa de suporte fisioterapêutico urgente:

  • Dificuldade crescente para subir degraus ou levantar de cadeiras baixas.
  • Perda frequente de equilíbrio ou episódios de “quase queda”.
  • Aumento da rigidez muscular (espasticidade) que causa dor ou limita o movimento.
  • Fadiga que impede a conclusão de tarefas domésticas ou profissionais simples.
  • Dificuldade de coordenação motora fina (como abotoar uma camisa ou escrever).

O papel da família na jornada da Esclerose Múltipla

Se você é parente ou cuidador, saiba que seu papel é ser o observador atento. Muitas vezes, o paciente não percebe a pequena mudança na forma de caminhar ou a leve alteração na fala. Estimular a reabilitação contínua não é “cobrança”, é cuidado preventivo. Na Balance, acolhemos a família para orientar como adaptar a casa e como auxiliar nos exercícios sem sobrecarregar o cuidador.

A Esclerose Múltipla pode mudar o ritmo da vida, mas com o acompanhamento correto, ela não para a vida. A manutenção da autonomia é uma construção diária feita através de ciência, persistência e a tecnologia correta.

Conclusão: Não permita que o diagnóstico defina seu limite

Seja no vai e vem dos surtos ou na progressão lenta, o movimento é o seu maior aliado. O cérebro humano tem uma capacidade de adaptação fantástica, e nossa missão é fornecer os estímulos certos para que essa adaptação aconteça de forma otimizada.

Não espere a condição estacionar ou a perda de função se consolidar. O Maio Laranja é o mês de agir. Agende sua avaliação neurofuncional de urgência via WhatsApp na Balance Moema e vamos traçar o plano ideal para o seu tipo de Esclerose Múltipla.

Nota: Este conteúdo é informativo e focado em educação em saúde. Consulte sempre seu neurologista para ajustes medicamentosos e a nossa equipe para o seu plano de reabilitação física.

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