Quedas depois do AVC: 7 fatores que aumentam o risco

Quedas depois do AVC: 7 fatores que aumentam o risco

Por Dra. Giulianna Mendes Ferrero — Fisioterapeuta Neurofuncional
CREFITO 3: 159232-F
Balance Fisioterapia Neurológica — Moema, São Paulo
Especializada em Fisioterapia Neurológica e Reabilitação Pós AVC

 

“Ele já está andando, mas começou a cair. Isso significa que piorou?”

“Ela não cai parada, mas tropeça quando vira, passa por obstáculos ou tenta fazer duas coisas ao mesmo tempo.”

“Se o equilíbrio está melhorando, por que o risco de queda ainda existe?”

Depois de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), quedas podem acontecer mesmo em pessoas que já recuperaram parte da força e da capacidade de caminhar. Isso ocorre porque cair raramente depende de um único problema.

Equilíbrio reduzido, mobilidade comprometida, alterações cognitivas, dependência em atividades de autocuidado, uso de determinados medicamentos e histórico de quedas estão entre os fatores associados ao risco em sobreviventes de AVC. Além disso, o ambiente e a forma como a pessoa executa tarefas reais podem revelar dificuldades que não aparecem em um teste simples dentro da clínica.

Por isso, prevenção não significa apenas “treinar equilíbrio”.

A pergunta mais útil é: quais fatores estão aumentando o risco desta pessoa, em quais situações as quedas acontecem e o que pode ser modificado para tornar a mobilidade mais segura sem simplesmente restringir a autonomia?

Resposta rápida: quais fatores aumentam o risco de quedas depois do AVC?

O risco de quedas pós AVC é multifatorial. Entre os fatores mais associados estão equilíbrio reduzido, mobilidade comprometida, histórico prévio de queda, alterações cognitivas, maior dependência para atividades de autocuidado, uso de medicamentos sedativos ou psicotrópicos e sintomas depressivos. Esses fatores não funcionam como uma sentença individual. A avaliação precisa descobrir quais estão presentes, como interagem e em quais tarefas a pessoa perde segurança.

Em resumo

  • Quedas pós AVC raramente têm uma única causa.
  • Equilíbrio reduzido e mobilidade comprometida estão entre os fatores mais associados.
  • Ter caído antes aumenta a atenção necessária para novas quedas, principalmente recorrentes.
  • Cognição, atenção e percepção do ambiente podem interferir na segurança.
  • Maior dependência para autocuidado pode indicar limitações funcionais relevantes.
  • Alguns medicamentos podem aumentar risco e precisam ser revistos pela equipe médica quando apropriado.
  • Sintomas depressivos aparecem associados a quedas, mas isso não significa que a queda seja “psicológica”.
  • Exercício pode melhorar mobilidade e equilíbrio, mas não existe garantia de eliminar quedas.

Por que as quedas são tão complexas depois de um AVC?

Porque para evitar uma queda o corpo precisa perceber o risco, controlar o movimento e responder rapidamente quando algo sai do planejado.

Uma pessoa pode tropeçar porque o pé não liberou o chão. Outra pode perder equilíbrio ao virar. Outra percebe o obstáculo tarde demais por alteração de atenção ou campo visual. Outra levanta rapidamente, apresenta instabilidade e não consegue reorganizar os passos.

Também existem situações em que vários fatores se somam.

Uma meta-análise com 21 estudos sobre pessoas pós AVC vivendo na comunidade encontrou associações importantes entre quedas e mobilidade comprometida, equilíbrio reduzido, uso de sedativos ou psicotrópicos, dependência em autocuidado, sintomas depressivos, comprometimento cognitivo e histórico de queda. 

Uma revisão sistemática mais recente, com estudos prospectivos em sobreviventes de AVC mais velhos, voltou a identificar cinco grandes domínios: equilíbrio e mobilidade, fatores ambientais e uso de auxiliares de marcha, fatores psicológicos, medicamentos e histórico de quedas. 

Isso reforça uma ideia central: risco de queda não deveria ser reduzido a uma única pontuação ou a um único exercício.

O olhar da Fisioterapia Neurofuncional

A queda é o evento final. A avaliação precisa descobrir qual sequência de falhas permitiu que ela acontecesse.

Imagine uma pessoa que tropeça ao entrar no banheiro. Podemos registrar apenas: “caiu por falta de equilíbrio”. Mas talvez a sequência tenha sido muito mais específica.

Ela caminhou mais rápido porque estava com urgência. Ao fazer a curva, diminuiu pouco a velocidade. O pé afetado não liberou completamente o chão. O corpo desviou lateralmente e a resposta de passo não foi rápida o suficiente para recuperar a estabilidade.  A queda foi o resultado final.

O tratamento pode precisar envolver giro, velocidade, clearance do pé, reação de equilíbrio e organização do ambiente.

Agora imagine outra pessoa que cai ao levantar à noite, sonolenta, após mudança de medicação. É outro problema.

Na Fisioterapia Neurofuncional, prevenir quedas não significa apenas deixar a pessoa “mais equilibrada”. Significa reconstruir a cadeia da queda e descobrir onde existe uma oportunidade real de intervenção.

A pergunta é: “O que aconteceu nos segundos anteriores à perda de equilíbrio e qual capacidade falhou naquele contexto?”

Fator 1: equilíbrio reduzido

Equilíbrio comprometido é um dos fatores mais fortemente associados a quedas depois do AVC.

Na meta-análise de Xu e colaboradores, equilíbrio reduzido apresentou associação importante com quedas em sobreviventes de AVC na comunidade.  Mas “equilíbrio ruim” precisa ser detalhado.

A pessoa perde estabilidade parada? Ao transferir peso? Quando vira? Ao ficar em apoio sobre uma perna? Quando precisa reagir a um tropeço?

Essas situações exigem capacidades diferentes. Uma pessoa pode ter boa pontuação em tarefas relativamente previsíveis e ainda apresentar dificuldade importante em ambientes mais complexos.

Por isso, o treino precisa avançar de acordo com a necessidade: controle de tronco, transferência de peso, alcance, passos em diferentes direções, giros, obstáculos e respostas posturais.

Fator 2: mobilidade e marcha comprometidas

Dificuldades de mobilidade também estão fortemente associadas a quedas pós AVC.

Na mesma meta-análise, mobilidade comprometida apresentou a maior associação entre os fatores investigados.

Isso pode envolver:

  • Marcha lenta, dificuldade para levantar, passos curtos, pé caído, circundução e joelho hiperestendido.
  • Baixa resistência, dificuldade de virar, necessidade de auxílio físico e baixa capacidade de adaptar os passos.

O problema não é apenas “andar feio”.

Uma marcha que funciona em corredor reto pode falhar diante de uma curva, tapete, degrau ou mudança inesperada de velocidade.

Por isso, avaliar risco exige observar mobilidade em tarefas mais próximas da vida real.

Pé caído aumenta o risco de queda?

Pode aumentar o risco de tropeço quando os dedos não conseguem liberar adequadamente o chão durante o balanço.

O NICE recomenda considerar órtese tornozelo-pé quando existe dificuldade de clearance associada a tropeços ou quedas e quando alterações de controle na fase de apoio prejudicam a marcha. 

FES também pode ser considerada em pacientes selecionados conforme o mecanismo. Mas tratar o tornozelo sozinho pode ser insuficiente quando o problema também envolve joelho, quadril, equilíbrio e velocidade.

Fator 3: histórico prévio de quedas

Uma queda anterior é uma informação clínica importante, principalmente quando existem quedas recorrentes.

Na meta-análise de fatores de risco, histórico de queda esteve associado a novos episódios e apresentou associação ainda mais forte com quedas recorrentes.  Isso não significa que “quem caiu vai cair de novo”.

Significa que uma queda anterior oferece informação valiosa sobre vulnerabilidades ainda presentes.

Precisamos perguntar:

  • Onde aconteceu? Em qual horário?
  • A pessoa estava andando ou transferindo? Estava com pressa? Tropeçou ou perdeu equilíbrio sem tropeço?
  • Conseguiu colocar as mãos? Houve tontura? Mudança recente de medicamento?
  • Estava usando dispositivo? Caiu mais de uma vez no mesmo contexto?

O histórico da queda é parte da avaliação, não apenas um item de prontuário.

Fator 4: alterações cognitivas, atencionais ou perceptivas

Cognição comprometida também aparece associada ao risco de quedas pós AVC.

Caminhar com segurança exige mais do que movimento. A pessoa precisa perceber obstáculos, dividir atenção, tomar decisões, lembrar de utilizar um dispositivo, ajustar velocidade e reconhecer situações de risco.

O NICE recomenda avaliação completa de cognição, incluindo atenção, memória, consciência espacial e percepção, além de visão, força, sensibilidade e equilíbrio. 

Alterações como negligência espacial podem fazer com que a pessoa perceba inadequadamente um lado do ambiente. Problemas executivos podem interferir no julgamento do risco. Uma pessoa pode possuir força para levantar sozinha, mas tentar realizar a tarefa antes de ter controle suficiente.

Por isso, insistir apenas em fortalecimento quando o componente cognitivo-perceptivo é importante pode deixar parte do risco sem tratamento.

Dupla tarefa pode revelar um risco que não aparece na caminhada simples? Pode.

Uma pessoa pode caminhar relativamente bem enquanto concentra toda a atenção na marcha e perder estabilidade quando conversa, carrega um objeto ou procura uma informação. Isso é particularmente relevante porque a vida raramente acontece em tarefa única.

Treino de dupla tarefa pode ser considerado em pessoas selecionadas e com segurança suficiente, mas não deve ser usado apenas para tornar o exercício mais difícil. A tarefa precisa representar aquilo que a pessoa realmente encontra no cotidiano.

Fator 5: dependência nas atividades de autocuidado e transferências

Maior dependência para autocuidado também está associada a quedas depois do AVC.

A meta-análise encontrou associação entre deficiência em autocuidado e risco de quedas. 

Essa relação faz sentido porque atividades como ir ao banheiro, vestir-se, tomar banho, levantar da cama e transferir-se envolvem mobilidade em espaços pequenos e frequentemente exigem mudanças rápidas de posição.

Uma pessoa pode caminhar alguns metros com supervisão e ainda apresentar risco elevado quando precisa:

  • Levantar durante a noite, entrar no box, abaixar a roupa, virar ao lado da cama, e sentar em uma cadeira baixa.

Por isso, avaliar apenas a caminhada em linha reta pode subestimar o problema.

Prevenção precisa entrar nas tarefas em que a queda realmente pode acontecer.

Fator 6: medicamentos sedativos ou psicotrópicos

O uso de determinados medicamentos aparece associado ao risco de quedas e merece revisão clínica quando existe histórico ou risco aumentado.

Na meta-análise específica de sobreviventes de AVC, uso de medicamentos sedativos ou psicotrópicos apresentou associação importante com quedas. 

Isso não significa interromper, reduzir ou modificar medicamentos por conta própria. Alguns são essenciais e possuem indicações claras.

A função da equipe é reconhecer que sonolência, redução de atenção, hipotensão, tontura ou outras reações podem interferir na mobilidade em determinadas pessoas.

Quando existe suspeita, a revisão precisa ser feita pelo médico responsável, considerando benefícios, riscos, doses, horários e possíveis interações.

Fisioterapia identifica o problema funcional. Mudança de medicação é decisão médica.

Fator 7: sintomas depressivos

Sintomas depressivos também aparecem associados a quedas em estudos com sobreviventes de AVC.

A meta-análise de 2018 encontrou associação entre depressão e quedas. A revisão mais recente em sobreviventes idosos também identificou depressão dentro do domínio psicológico relacionado ao risco. 

Essa associação precisa ser interpretada com cuidado. Não significa que a pessoa cai porque “está triste” nem que a queda seja psicológica. Depressão pode coexistir com menor atividade física, alterações de atenção, sono, motivação, uso de medicamentos e maior comprometimento funcional.

Quando existem sinais de depressão, eles merecem avaliação profissional por seu próprio impacto sobre saúde e participação, e não apenas porque aparecem estatisticamente associados a quedas.

E o ambiente? Tapetes, iluminação e banheiro também importam? Sim, o ambiente pode transformar uma limitação funcional em uma queda.

Um degrau mal sinalizado pode ser decisivo para quem tem pé caído, baixa visão ou dificuldade de reação. O NICE considera avaliação de perigos domiciliares para pessoas que já caíram e apresentam comprometimento de marcha ou equilíbrio. 

Tapetes soltos, pouca iluminação, piso escorregadio, obstáculos, barras inadequadas, calçados e trajetos noturnos podem ser relevantes.

Segurança e autonomia precisam ser construídas juntas.

Usar bengala ou andador aumenta o risco?

O uso de auxiliar de marcha pode aparecer associado a quedas em estudos, mas isso não significa que a bengala ou o andador sejam necessariamente a causa.

Quem usa esses recursos frequentemente já apresenta maior comprometimento motor ou de equilíbrio. Um dispositivo bem indicado pode aumentar segurança e independência.

O risco pode aumentar quando o recurso está inadequado, mal ajustado, é utilizado com técnica incorreta ou deixa de acompanhar a evolução funcional. Por isso, ele precisa ser reavaliado como parte da estratégia de mobilidade.

Como avaliar o risco de quedas depois do AVC? 

A avaliação precisa ser multifatorial.

Pode incluir:

  • Histórico de quedas, equilíbrio, marcha, velocidade, transferências, força, sensibilidade, cognição, percepção, visão, fadiga e medicamentos.
  • Dispositivos, atividades de autocuidado, ambiente e situações específicas em que a pessoa cai.

O NICE recomenda avaliação médica e funcional abrangente após AVC, incluindo cognição, visão, audição, tônus, força, sensibilidade e equilíbrio. 

Testes como Timed Up and Go, Berg Balance Scale, velocidade de marcha e outras medidas podem ajudar. Mas nenhuma pontuação isolada explica todas as quedas.

Não existe avaliação individualizada de risco sem entender o contexto individual da queda.

Como a Fisioterapia Neurológica pode ajudar a reduzir o risco?

A fisioterapia pode trabalhar fatores modificáveis relacionados à mobilidade, equilíbrio e execução das tarefas, mas não deve prometer eliminar todas as quedas.

Dependendo da avaliação, o tratamento pode incluir:

  • Controle de tronco, fortalecimento funcional, transferência de peso, equilíbrio dinâmico, treino de marcha e giros.
  • Obstáculos, treino de velocidade, respostas posturais, treino de transferências, dupla tarefa.
  • FES ou órtese quando indicadas, condicionamento e orientação sobre dispositivos.

O NICE recomenda fisioterapia especializada quando fraqueza, alterações sensitivas ou equilíbrio prejudicam o movimento e inclui educação sobre prevenção de quedas em programas de circuito para caminhada. O tratamento precisa ser conectado à situação real de risco.

Exercício realmente previne quedas depois do AVC?

A evidência específica ainda é limitada e não permite garantir prevenção.

Uma revisão sistemática publicada em 2026 encontrou apenas três ensaios randomizados, totalizando 677 participantes, que avaliaram exercício especificamente com desfecho de quedas em pessoas pós AVC na comunidade.

O exercício produziu pequena melhora da velocidade de marcha. Houve tendência a menor taxa de quedas, mas com incerteza estatística, e não houve redução clara no número de pessoas que sofreram pelo menos uma queda. 

Isso é uma informação importante. Exercício continua sendo relevante para mobilidade e equilíbrio. Mas melhorar capacidades físicas e provar redução de quedas são desfechos diferentes.

 Então o que realmente significa prevenir quedas? Significa reduzir fatores modificáveis e aumentar a capacidade da pessoa de lidar com as demandas que encontra na vida.

Isso pode exigir fisioterapia, terapia ocupacional, avaliação médica, revisão de medicamentos, avaliação visual, adaptação ambiental e orientação da família.

Em algumas pessoas, o principal alvo será equilíbrio. Em outras, o banheiro, um dispositivo, atenção ou medicação. Queda é multifatorial, prevenção também precisa ser.

Mito ou verdade: quem cai depois do AVC não deveria andar sozinho

Mito como regra universal.

Uma queda precisa ser investigada, mas a solução não deveria ser automaticamente retirar toda independência.Restringir excessivamente mobilidade pode reduzir atividade, condicionamento e participação. 

Em alguns casos, supervisão ou dispositivo realmente serão necessários. Em outros, a pessoa pode continuar independente após ajustes específicos. A decisão deve partir do risco real e da capacidade atual.

Proteger não é impedir todo movimento. É criar condições para que o movimento aconteça com o suporte adequado.

Quando uma queda exige avaliação médica?

Quedas com trauma importante, perda de consciência, suspeita de fratura, dor intensa, incapacidade de apoiar, sintomas neurológicos novos ou mal-estar súbito precisam de avaliação médica.

Se surgirem sinais neurológicos novos, como fraqueza súbita, assimetria facial, alteração de fala, visão ou equilíbrio de início abrupto, é necessária avaliação de emergência por possibilidade de novo evento neurológico.

Quedas recorrentes sem explicação clara também merecem investigação clínica mais ampla.

Como saber se o risco está diminuindo? Não basta contar quantas vezes a pessoa caiu durante um período curto.

Podemos acompanhar:

  • Quase quedas, tropeços e necessidade de apoio.
  • Velocidade, capacidade de virar, segurança em transferências e estabilidade em obstáculos.
  • Uso adequado do dispositivo, confiança, participação em atividades e exposição real às situações de risco.

Uma pessoa que deixou de cair porque parou completamente de sair de casa não necessariamente está mais funcionalmente segura.

Redução de quedas precisa ser interpretada junto com manutenção ou recuperação da participação. Reabilitação para risco de quedas pós AVC na Balance Fisioterapia Neurológica

Na Balance Fisioterapia Neurológica, em Moema, uma queda não é tratada apenas como “falta de equilíbrio”.

Buscamos reconstruir em qual situação a queda aconteceu e quais fatores motores, sensitivos, perceptivos, cognitivos e ambientais participaram daquele evento.

Conforme o caso, avaliamos marcha, equilíbrio, transferências, força, sensibilidade, controle de tronco, pé caído, comportamento do joelho, velocidade, resistência, dispositivos e capacidade de lidar com obstáculos e dupla tarefa.

O tratamento pode integrar treino orientado à tarefa, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, fortalecimento funcional, equilíbrio dinâmico, estimulação elétrica e sensorial, treino de marcha, giros, obstáculos e condicionamento.

Quando existem fatores além da fisioterapia, orientamos a necessidade de avaliação da equipe responsável.

O objetivo não é restringir a pessoa para que ela nunca mais se exponha ao risco. É aumentar a capacidade e organizar o ambiente para que ela possa se mover com mais segurança e autonomia.

As quedas começaram ou estão se repetindo depois do AVC?

Uma avaliação neurofuncional pode identificar quais fatores estão contribuindo para o risco e em quais tarefas o controle está falhando. Isso permite transformar “ele está caindo” em problemas específicos que podem ser medidos e, quando possível, modificados.

Agende uma avaliação com a equipe da Balance Fisioterapia Neurológica.

Perguntas frequentes sobre quedas depois do AVC

Cair depois do AVC significa que a recuperação piorou? 

Não necessariamente. Uma queda pode ocorrer por diferentes razões e precisa ser contextualizada. Mudança súbita da função, porém, merece investigação.

Equilíbrio ruim é a principal causa de quedas? 

É um fator importante, mas não o único. Mobilidade, cognição, medicamentos, autocuidado, histórico de quedas e outros fatores também participam.

Quem já caiu tem maior risco de cair novamente? 

O histórico de quedas está associado a novos episódios e especialmente a quedas recorrentes, mas isso não determina que uma nova queda acontecerá. 

Bengala ou andador evitam quedas? 

Podem aumentar segurança quando bem indicados e utilizados corretamente, mas nenhum dispositivo elimina o risco. A escolha deve ser individualizada.

Exercícios de equilíbrio evitam todas as quedas? 

Não. Exercício pode melhorar capacidades importantes, mas a evidência específica para redução de quedas pós AVC ainda é limitada. 

É possível reduzir o risco de quedas anos depois do AVC? 

Sim, alguns fatores modificáveis podem continuar sendo trabalhados na fase crônica. O plano depende do mecanismo das quedas e das capacidades atuais.

Conclusão: prevenir quedas começa entendendo por que aquela pessoa está caindo

Depois de um AVC, uma queda pode acontecer por equilíbrio reduzido. Mas também pode envolver marcha comprometida, alterações cognitivas, dependência em transferências, medicamentos, fatores psicológicos, ambiente e histórico prévio.

Por isso, existe um erro importante em resumir tudo a: ele caiu porque está fraco. Outro erro é responder à queda retirando toda autonomia da pessoa. A pergunta mais útil é: qual sequência de fatores levou a essa queda e quais partes dessa sequência podemos modificar?”

Prevenção de quedas não é apenas evitar que o corpo saia do equilíbrio. É aumentar a capacidade de perceber, responder e se mover com segurança nas situações em que a vida realmente acontece.

Referências científicas

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