Por Dra. Giulianna Mendes Ferrero — Fisioterapeuta Neurofuncional
CREFITO 3: 159232-F
Balance Fisioterapia Neurológica — Moema, São Paulo
Especializada em Fisioterapia Neurológica e Reabilitação Pós AVC
“Disseram que o AVC foi do lado esquerdo do cérebro. Isso significa que a recuperação será pior?”
“Se o AVC foi do lado direito, por que o lado esquerdo do corpo ficou fraco?”
“Um dos lados do cérebro recupera melhor do que o outro?”
Quando uma família ouve que o Acidente Vascular Cerebral (AVC) aconteceu no hemisfério direito ou esquerdo, é natural tentar transformar essa informação em uma previsão: qual lado deixa mais sequelas, qual recupera mais rápido e o que esperar da fisioterapia.
Mas o lado da lesão não funciona como um ranking de gravidade.
Os hemisférios cerebrais compartilham muitas funções, mas algumas redes apresentam lateralização. Em muitas pessoas, o hemisfério esquerdo participa mais intensamente da linguagem e de aspectos do planejamento de ações; o direito tem papel importante na atenção espacial, percepção global e aspectos da comunicação, como prosódia. Além disso, cada hemisfério controla predominantemente o lado oposto do corpo.
Essas diferenças podem mudar o perfil das sequelas e os desafios da reabilitação. Não determinam, sozinhas, quanto uma pessoa vai recuperar.
Resposta rápida: o que muda na recuperação do AVC do lado direito e do lado esquerdo?
O hemisfério lesionado pode mudar o tipo de sequela e, consequentemente, os desafios da reabilitação, mas não existe um lado que tenha sempre melhor ou pior recuperação. AVC no hemisfério esquerdo pode estar mais associado a afasia e apraxia, enquanto lesões no hemisfério direito apresentam maior frequência de negligência espacial e algumas alterações de comunicação e percepção. O prognóstico depende também da localização exata, extensão da lesão, gravidade, funções preservadas e estado funcional atual.
Em resumo
- AVC no hemisfério direito geralmente afeta mais o lado esquerdo do corpo.
- AVC no hemisfério esquerdo geralmente afeta mais o lado direito do corpo.
- Lesão esquerda pode estar mais associada a afasia e apraxia.
- Lesão direita apresenta maior frequência de negligência espacial e alterações visuoespaciais.
- Essas associações são tendências, não regras absolutas.
- O lado do AVC não determina sozinho quem vai andar ou recuperar o braço primeiro.
- A reabilitação precisa considerar o déficit motor e também linguagem, percepção, atenção, sensibilidade e cognição.
Antes de tudo: “AVC do lado direito” significa o quê?
Quando falamos em AVC do lado direito ou esquerdo neste artigo, estamos nos referindo ao hemisfério cerebral onde ocorreu a lesão, e não ao lado do corpo que ficou comprometido.
Grande parte das vias motoras cruza entre o cérebro e o corpo. Por isso, uma lesão no hemisfério direito costuma produzir fraqueza ou alterações de controle motor predominantemente no lado esquerdo do corpo. Uma lesão no hemisfério esquerdo costuma afetar predominantemente o lado direito.
Isso ajuda a explicar frases que inicialmente parecem contraditórias:
“o AVC foi à direita, mas a perna esquerda ficou fraca.”
Esse padrão contralateral é comum em AVCs hemisféricos.
Mas movimento é apenas uma parte do quadro. Dependendo da região comprometida, também podem existir alterações de sensibilidade, visão, percepção, atenção, linguagem, planejamento e cognição.
Por isso, saber “qual lado” é apenas o começo da avaliação.
AVC no hemisfério esquerdo afeta mais a fala?
Em muitas pessoas, sim. Lesões no hemisfério esquerdo apresentam maior probabilidade de comprometer redes relacionadas à linguagem, mas essa lateralização não é idêntica em todos os indivíduos.
A afasia pode alterar compreensão, produção da fala, nomeação, leitura e escrita em diferentes combinações e intensidades.
Isso cria um desafio particular para a reabilitação.
Uma pessoa pode compreender perfeitamente o objetivo motor, mas ter dificuldade para expressar o que sente. Outra pode ter dificuldade para compreender instruções longas, apesar de apresentar força suficiente para executar a tarefa.
A recuperação da linguagem também envolve reorganização de redes distribuídas. Uma revisão sistemática de 2024 destaca que estruturas e vias do hemisfério direito podem participar da recuperação da afasia depois de lesões esquerdas, mostrando que o cérebro não funciona como duas metades completamente independentes.
Por isso, um AVC esquerdo com afasia exige adaptações na maneira de ensinar, demonstrar e confirmar se a pessoa compreendeu a tarefa.
AVC no hemisfério esquerdo pode causar dificuldade para planejar movimentos? Sim. A apraxia dos membros é particularmente associada a lesões do hemisfério esquerdo e pode dificultar ações aprendidas mesmo quando força e amplitude não explicam totalmente o problema.
A pessoa pode possuir movimento suficiente para utilizar um objeto e, ainda assim, ter dificuldade para organizar corretamente a sequência daquela ação.
Isso pode aparecer ao vestir-se, utilizar talheres, manipular ferramentas ou imitar determinados gestos.
Uma revisão sistemática sobre reabilitação de apraxia descreve o quadro como uma consequência incapacitante especialmente relacionada a AVCs esquerdos e aponta que estratégias de treino podem melhorar atividades do dia a dia, embora a evidência sobre a melhor abordagem ainda seja limitada.
Esse é um exemplo importante de porque “o braço tem força” não significa que a função esteja normal.
O que costuma mudar quando o AVC acontece no hemisfério direito?
Lesões no hemisfério direito podem comprometer atenção espacial, percepção e aspectos da comunicação que nem sempre são tão evidentes em uma conversa rápida.
Uma das alterações mais conhecidas é a negligência espacial unilateral.
A pessoa pode deixar de perceber ou responder adequadamente a estímulos de um lado do espaço, frequentemente o lado esquerdo após lesão direita.
Isso não é simplesmente “não enxergar”.
A visão pode estar presente, mas o cérebro deixa de orientar adequadamente atenção para determinadas informações.
Na prática, a pessoa pode: esbarrar em objetos de um lado; deixar comida em metade do prato; esquecer de vestir uma manga; não perceber adequadamente o braço afetado, ignorar obstáculos durante a caminhada; posicionar mal a cadeira de rodas; ter maior dificuldade em ambientes complexos.
Uma revisão sistemática com 6.324 participantes encontrou negligência espacial em cerca de 38% das pessoas com lesão cerebral direita e 18% das pessoas com lesão esquerda, mostrando que ela é mais frequente após AVC direito, mas não exclusiva desse lado.
AVC do lado direito pode afetar a comunicação mesmo sem afasia? Sim. Lesões direitas podem alterar aspectos como prosódia e interpretação emocional da fala, mesmo quando não existe afasia clássica.
Uma revisão sistemática e meta-análise encontrou evidência consistente de alterações de prosódia emocional após dano do hemisfério direito.
Essas mudanças podem ser sutis, mas interferir em relações sociais e participação. Falar fluentemente não significa que todos os componentes da comunicação estejam preservados.
O olhar da Fisioterapia Neurofuncional
O lado do AVC muda o tipo de obstáculo que pode aparecer na tarefa, mas não define sozinho o potencial de recuperação
Imagine duas pessoas com força semelhante na perna afetada.
A primeira teve AVC no hemisfério esquerdo. Ela entende melhor demonstrações visuais do que instruções verbais porque apresenta afasia importante.
A segunda teve AVC no hemisfério direito. Ela possui força semelhante, mas não percebe adequadamente obstáculos no lado esquerdo e apresenta negligência espacial.
Se as duas receberem exatamente as mesmas instruções e o mesmo treino de marcha, estamos ignorando parte essencial do problema.
Na primeira, a barreira para aprender pode estar na comunicação da tarefa.
Na segunda, pode estar na forma como o cérebro distribui atenção pelo espaço.
A fisioterapia não deveria tratar apenas “a perna fraca”. Ela precisa entender quais informações o sistema nervoso consegue utilizar para organizar aquela função.
É por isso que dois pacientes com hemiparesia aparentemente semelhante podem exigir estratégias de reabilitação bastante diferentes.
A lateralidade muda o risco de equilíbrio e segurança?
Pode mudar o perfil do risco, mas não existe uma regra simples por hemisfério.
A negligência espacial, mais frequente após lesão direita, pode dificultar mobilidade porque a pessoa pode não detectar adequadamente obstáculos ou partes do próprio corpo. As diretrizes do NICE recomendam avaliar essa alteração durante tarefas reais, como mobilidade, alimentação e vestir-se.
Já um AVC esquerdo também pode produzir grande dificuldade de equilíbrio por fraqueza, perda sensorial, apraxia ou alterações visuais.
O risco de queda depende da combinação de déficits, não apenas do lado da lesão.
Qual lado recupera melhor a marcha?
Não existe evidência suficiente para afirmar que AVC no hemisfério direito ou esquerdo tenha, por si só, melhor prognóstico de caminhada.
Um estudo que avaliou prognóstico funcional após AVC hemisférico encontrou que a função motora da perna foi um preditor muito mais importante da recuperação da marcha do que a lateralização da lesão.
Para estimar a recuperação da caminhada, fatores como controle da perna, tronco, equilíbrio, cognição e independência inicial são mais úteis do que simplesmente dizer “o AVC foi à direita” ou “foi à esquerda”.
Isso faz sentido clinicamente.
A marcha precisa ser produzida pelo corpo inteiro e adaptada ao ambiente.
O hemisfério lesionado pode mudar os obstáculos encontrados, mas não fornece sozinho um prazo ou um resultado.
O braço e a mão recuperam de forma diferente dependendo do lado?
O lado da lesão pode mudar características associadas à tarefa, mas o prognóstico motor do membro superior depende principalmente da gravidade e das vias motoras preservadas.
Se o AVC esquerdo afeta o braço direito de uma pessoa destra, por exemplo, a perda pode ter impacto enorme porque compromete o membro dominante utilizado para escrever, comer e trabalhar.
Isso não significa que biologicamente aquele braço tenha necessariamente menor capacidade de recuperação.
O impacto funcional é maior porque a tarefa exigia mais daquele membro antes do AVC.
Da mesma forma, negligência após AVC direito pode reduzir uso e atenção ao braço esquerdo, acrescentando uma barreira que não é simplesmente fraqueza.
Por isso, avaliar membro superior exige observar não apenas força e movimento, mas também sensibilidade, atenção, planejamento e uso espontâneo.
Um lado do AVC tem prognóstico geral pior?
Não existe um hemisfério que seja universalmente “pior” para recuperação funcional.
Um estudo com 1.644 participantes de ensaios clínicos de AVC agudo encontrou pontuações iniciais maiores na NIHSS em pessoas com lesão esquerda, mas essa diferença desapareceu quando foram removidos itens da escala fortemente influenciados por déficits lateralizados. Além disso, não houve diferença significativa no desfecho funcional de 90 dias e a lateralização não foi um preditor independente do resultado.
Isso chama atenção para um detalhe importante.
As próprias escalas podem enxergar determinados déficits melhor do que outros.
Alterações de linguagem típicas de lesões esquerdas recebem peso explícito em avaliações neurológicas. Déficits cognitivo-comunicativos ou visuoespaciais associados ao hemisfério direito podem ser mais sutis ou menos representados.
Até a forma de medir gravidade precisa ser interpretada dentro do contexto da lateralidade.
O lado da lesão pode influenciar como a gravidade é percebida? Sim. Afasia após lesão esquerda costuma ser evidente, enquanto negligência e déficits cognitivo-comunicativos após lesão direita podem aparecer principalmente em tarefas reais.
Por isso, gravidade neurológica e impacto funcional precisam ser avaliados em conjunto. Uma pessoa pode parecer melhor em um exame breve do que funciona no cotidiano.
A recuperação da negligência espacial é possível? Sim. A negligência pode melhorar, especialmente nos primeiros meses, mas pode persistir e continuar interferindo na independência de algumas pessoas.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 encontrou recuperação em parte importante das pessoas ao longo dos primeiros meses, mas mostrou que uma parcela continuava apresentando negligência em fases posteriores.
A diretriz NICE recomenda avaliar o impacto funcional da negligência e utilizar intervenções voltadas às tarefas relevantes, incluindo estratégias de varredura visual, pistas sensoriais e repetição de atividades.
Portanto, negligência precisa ser tratada como um componente específico da reabilitação, não apenas como “falta de atenção”.

Como a Fisioterapia Neurológica muda quando existe afasia, apraxia ou negligência?
A tarefa pode ser a mesma, mas a forma de ensiná-la e o ambiente de treinamento podem precisar mudar.
Com afasia, podemos utilizar mais demonstração, gestos, comandos curtos, repetição e recursos visuais, em articulação com a fonoaudiologia.
Com apraxia, a pessoa pode precisar de estratégias para organizar melhor a sequência da ação e de prática funcional específica.
Com negligência, o treinamento pode precisar chamar atenção para o lado menos explorado, modificar a posição de estímulos e praticar mobilidade em ambientes onde a alteração realmente interfere.
As diretrizes NICE também recomendam adaptações especiais para pessoas com necessidades de comunicação e cognição durante a reabilitação.
Individualizar não é apenas escolher exercícios diferentes. Também é modificar como o cérebro recebe e utiliza as informações necessárias para aprender.
O que precisa ser avaliado para entender o prognóstico?
Além da lateralidade, precisamos avaliar a lesão e o funcionamento atual da pessoa.
Conforme o quadro, podem ser investigados:
- Força, controle motor, sensibilidade, mobilidade, tônus e espasticidade.
- Controle do tronco, equilíbrio, marcha, resistência, uso do braço e da mão.
- Linguagem, compreensão de comandos, apraxia, atenção espacial, percepção visual.
- Cognição, consciência das próprias limitações, atividades do cotidiano e independência.
Nem todos esses itens são avaliados ou tratados apenas pela fisioterapia.
A reabilitação pós AVC é multidisciplinar justamente porque lesões hemisféricas podem comprometer diferentes domínios simultaneamente.
A Estimulação Magnética Transcraniana muda conforme o lado do AVC?
O hemisfério lesionado é uma informação importante para definir alvos e protocolos, mas não existe uma regra simples do tipo “AVC à esquerda estimula a direita” ou vice-versa.
A Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva vem sendo estudada como recurso complementar para recuperação motora pós AVC, e diferentes protocolos buscam modular redes relacionadas à função comprometida.
Uma meta-análise recente encontrou resultados favoráveis para alguns desfechos motores, mas mostrou heterogeneidade relacionada ao protocolo, local de estimulação, fase e características dos pacientes.
Por isso, a lateralidade faz parte do raciocínio técnico, mas não substitui avaliação individual.
Na Balance, quando existe indicação, a EMT é associada ao treinamento da função desejada.
Mito ou verdade: AVC do lado esquerdo é pior porque afeta a fala?
Mito. Afasia pode ter grande impacto, mas não existe evidência de que todo AVC esquerdo tenha pior recuperação global.
Da mesma forma, seria incorreto dizer que AVC direito é pior porque pode causar negligência.
Cada hemisfério pode produzir perfis de sequelas que interferem de maneiras diferentes na independência.
O prognóstico depende da combinação entre gravidade, localização específica, redes comprometidas, funções preservadas e resposta à reabilitação.
O lado modifica o perfil. Não determina sozinho o destino.
Quando procurar uma Fisioterapia Neurológica especializada?
Uma avaliação especializada é importante quando as sequelas continuam limitando movimento, segurança ou independência, seja o AVC direito ou esquerdo.
Isso inclui dificuldade para levantar, caminhar, equilibrar-se, utilizar braço e mão, enfrentar ambientes externos ou realizar tarefas com menor ajuda.
Quando existem afasia, apraxia, negligência ou outras alterações cognitivas e comunicativas, o tratamento também precisa ser articulado com os profissionais adequados da equipe multidisciplinar.
A pergunta da avaliação não é apenas: qual hemisfério foi lesionado?
É: como essa lesão está interferindo naquilo que a pessoa precisa voltar a fazer?
Reabilitação de AVC do lado direito ou esquerdo na Balance Fisioterapia Neurológica
Na Balance Fisioterapia Neurológica, em Moema, a lateralidade do AVC faz parte do raciocínio clínico, mas não é utilizada isoladamente para prever recuperação ou escolher exercícios.
A avaliação busca identificar quais funções foram comprometidas, o que está preservado e quais componentes estão impedindo a pessoa de realizar a tarefa que deseja recuperar.
O tratamento pode integrar treino orientado à tarefa, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, fortalecimento funcional, estimulação elétrica e sensorial, controle de tronco, equilíbrio, marcha, esteira, suspensão parcial de peso e condicionamento.
Quando existem alterações de atenção espacial, comunicação ou planejamento motor, a estratégia de treinamento precisa considerar essas dificuldades e ser articulada com a equipe multidisciplinar.
Em pacientes selecionados, a Estimulação Magnética Transcraniana também pode ser associada à Fisioterapia Neurológica.
Não tratamos “o lado direito” ou “o lado esquerdo”. Tratamos a função que aquela lesão modificou.

Você sabe de qual lado foi o AVC, mas não sabe o que isso muda na recuperação?
O hemisfério lesionado ajuda a compreender quais tipos de alterações podem aparecer, mas não define sozinho o potencial funcional.
Uma avaliação neurofuncional identifica os déficits atuais, as capacidades preservadas e os fatores que estão limitando aquilo que a pessoa deseja recuperar.
Agende uma avaliação com a equipe da Balance Fisioterapia Neurológica.
Perguntas frequentes sobre AVC do lado direito e esquerdo
AVC do lado direito afeta qual lado do corpo?
Geralmente o lado esquerdo. Em AVCs hemisféricos, as principais vias motoras controlam predominantemente o lado contralateral do corpo.
AVC do lado esquerdo afeta qual lado do corpo?
Geralmente o lado direito. A localização exata da lesão, porém, determina quais funções serão comprometidas.
AVC do lado esquerdo sempre causa afasia?
Não. A linguagem é predominantemente lateralizada à esquerda em muitas pessoas, mas a organização cerebral varia, e nem toda lesão esquerda compromete redes essenciais da linguagem.
AVC do lado direito sempre causa negligência?
Não. A negligência é mais frequente após lesão direita, mas não ocorre em todos os pacientes e também pode aparecer após lesão esquerda. Uma revisão encontrou prevalência de 38% após lesão direita e 18% após lesão esquerda.
Qual lado do AVC é mais grave?
Nenhum lado é universalmente mais grave. A gravidade depende da localização, extensão, funções comprometidas e estado funcional. A lateralidade isolada não demonstrou ser um preditor independente de desfecho funcional em estudos que controlaram vieses de avaliação.
Qual lado recupera mais rápido?
Não existe uma regra. A velocidade depende de gravidade inicial, vias preservadas, função motora, cognição, sensibilidade, equilíbrio, condições clínicas e características da reabilitação.
Conclusão: o lado ajuda a entender a sequela, não a prever sozinho o futuro
AVC no hemisfério direito e AVC no hemisfério esquerdo podem produzir perfis diferentes.
Lesões esquerdas podem comprometer linguagem e planejamento de ações com maior frequência.
Lesões direitas apresentam maior associação com negligência espacial e alguns déficits perceptivos e comunicativos.
Mas essas diferenças não criam dois prognósticos automáticos.
Não existe uma regra segundo a qual: AVC esquerdo recupera pior ou AVC direito recupera melhor.”
A pergunta mais útil é: Quais redes e funções foram comprometidas nesta pessoa e como essas alterações interferem na tarefa que ela precisa voltar a realizar?
O hemisfério mostra onde parte do problema começou.
A avaliação funcional mostra o que precisamos fazer a partir daí.
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