Circundução pós AVC: por que a pessoa joga a perna para o lado ao andar

Circundução pós AVC: por que a pessoa joga a perna para o lado ao andar

Por Dra. Giulianna Mendes Ferrero — Fisioterapeuta Neurofuncional
CREFITO 3: 159232-F
Balance Fisioterapia Neurológica — Moema, São Paulo
Especializada em Fisioterapia Neurológica e Reabilitação Pós AVC

 

“Por que ele precisa fazer um círculo com a perna para conseguir dar o passo?”

“Ela joga a perna para o lado, mas consegue dobrar o joelho quando está sentada. O que está acontecendo?”

“Se corrigirmos esse movimento, a marcha melhora?”

Depois de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), algumas pessoas passam a avançar a perna afetada fazendo um arco para fora em vez de levá-la diretamente para frente. Esse padrão costuma ser chamado de circundução.

À primeira vista, pode parecer que o problema está no quadril. Mas a circundução muitas vezes aparece porque o membro não consegue encurtar ou avançar adequadamente durante a fase de balanço da marcha.

Pouca flexão de joelho, dificuldade de dorsiflexão, controle motor alterado, rigidez, menor propulsão e estratégias de pelve podem participar. Além disso, nem toda circundução deve ser interpretada automaticamente como uma compensação simples para o pé não tocar no chão.

Por isso, a pergunta mais útil não é “como impedir a perna de abrir?”, mas por que o corpo está precisando levar essa perna para o lado para conseguir completar o passo?

Resposta rápida: por que a pessoa faz circundução depois do AVC?

A circundução pode aparecer quando a perna afetada não encurta ou avança de forma suficiente durante o balanço. Pouca flexão do joelho, dificuldade de elevar o pé, alterações de controle motor, mobilidade e coordenação podem contribuir. O corpo então pode abduzir o quadril e levar o membro em arco para criar passagem. Mas o mecanismo varia entre pacientes, e a avaliação precisa descobrir por que aquela pessoa utiliza essa estratégia antes de tentar eliminá-la.

Em resumo

  • Circundução é o movimento em arco da perna durante o avanço do passo.
  • Ela não significa automaticamente fraqueza do quadril.
  • Pouca flexão do joelho pode favorecer dificuldade de passagem do pé.
  • Pé caído e alterações do tornozelo também podem contribuir.
  • Elevação da pelve e circundução são estratégias diferentes, embora possam aparecer juntas.
  • Nem toda circundução é explicada apenas por falta de clearance.
  • Corrigir a aparência sem tratar o mecanismo pode piorar a segurança.
  • A fisioterapia precisa analisar quadril, joelho, tornozelo, pelve e o momento em que o padrão aparece.

O que é circundução na marcha pós AVC?

Circundução é o avanço da perna em uma trajetória lateral, formando um arco, em vez de seguir uma trajetória predominantemente para frente durante o balanço.

Na análise da marcha, esse padrão está relacionado principalmente ao aumento da abdução do quadril durante o avanço do membro.

Ele pode aparecer isoladamente ou associado a outras estratégias, como elevação da pelve do lado afetado, inclinação do tronco e elevação do calcanhar do lado oposto.

O objetivo funcional imediato pode ser simples: conseguir fazer a perna passar sem que os dedos prendam no chão.

Mas a biomecânica real é mais complexa.

Estudos de marcha pós AVC mostram que pessoas podem combinar diferentes estratégias para produzir clearance suficiente, e a quantidade de circundução não acompanha necessariamente de forma linear a quantidade de flexão do joelho ou dorsiflexão.

Isso significa que observar o arco da perna é apenas o começo da análise.

O olhar da Fisioterapia Neurofuncional

A circundução pode ser a solução que permitiu o passo acontecer — e não o primeiro problema que precisamos retirar

Imagine uma pessoa cujo joelho flexiona pouco durante o balanço.

Sem essa flexão, a perna permanece funcionalmente mais comprida. Se ela tentar avançar o membro em linha reta, os dedos podem bater no chão.

O corpo encontra uma alternativa: leva a perna para fora, criando uma trajetória em arco.

Agora imagine que o terapeuta peça apenas:

“Não abra a perna.”

Se nada foi feito para melhorar a passagem do pé, a pessoa pode simplesmente começar a tropeçar.

Por isso, a circundução precisa ser interpretada dentro da função que ela está cumprindo.

Ao mesmo tempo, existe uma nuance importante: estudos experimentais mostram que aumentar a flexão do joelho não reduz obrigatoriamente a abdução do quadril em todas as pessoas pós AVC. Isso sugere que, em alguns casos, o padrão também pode refletir uma organização motora alterada e não apenas uma compensação mecânica simples.

Na Fisioterapia Neurofuncional, antes de retirar uma estratégia, precisamos descobrir o problema que ela está ajudando o corpo a resolver.

Por que pouca flexão do joelho pode levar à circundução?

Porque o joelho precisa flexionar durante o balanço para encurtar funcionalmente a perna e permitir que o pé passe pelo chão.

Quando essa flexão é reduzida, aparece o chamado padrão de marcha com joelho rígido, ou stiff-knee gait. Uma revisão de 2025 sobre esse padrão descreve que a redução da flexão do joelho pode levar a estratégias proximais como elevação da pelve e circundução, além de outras compensações para melhorar a passagem do membro.

Mas a causa do joelho rígido também não é única. Pode haver alteração de propulsão antes de o pé sair do chão, atividade muscular inadequada, alterações biomecânicas entre segmentos e controle motor comprometido.

Portanto, “a perna abre porque o joelho não dobra” pode ser uma parte da explicação, mas ainda precisamos descobrir por que o joelho não está flexionando adequadamente.

Pé caído pode fazer a pessoa jogar a perna para o lado?

Pode contribuir, porque dificuldade de dorsiflexão reduz a margem de segurança entre os dedos e o chão durante o balanço.

Se o pé permanece mais apontado para baixo, o membro precisa criar clearance de outra forma.

A pessoa pode aumentar a flexão do quadril, elevar a pelve, realizar circundução ou combinar essas estratégias. Mas é importante não transformar toda circundução em “pé caído”.

Há pessoas com dorsiflexão limitada que utilizam pouca circundução, enquanto outras apresentam movimento lateral importante por mecanismos mais proximais. Por isso, o tornozelo precisa ser avaliado dentro da cadeia completa da marcha.

Circundução e elevação da pelve são a mesma coisa?

Não. São movimentos diferentes, embora frequentemente apareçam juntos.

Na circundução, a perna se desloca lateralmente durante o balanço, com aumento da abdução do quadril.

Na elevação da pelve, o lado afetado da pelve sobe durante o avanço da perna, o chamado hip hiking.

Ambos podem aumentar a distância entre o pé e o chão.

Um estudo clássico de análise tridimensional mostrou que hip hiking e circundução podem ser quantificados separadamente, reforçando que são estratégias distintas.

Isso importa clinicamente porque uma pessoa pode apresentar muita elevação da pelve e pouca circundução, ou o contrário.

Tratar os dois padrões como se fossem a mesma coisa pode esconder o verdadeiro mecanismo.

Circundução sempre é uma compensação pela falta de flexão do joelho?

Não necessariamente. Essa explicação é plausível e frequente, mas não é universal.

Em um estudo experimental com pessoas com marcha de joelho rígido após AVC, assistência mecânica para aumentar a flexão do joelho antes da retirada do pé não reduziu a abdução do quadril. Pelo contrário, a abdução aumentou.

Outro trabalho questionou diretamente a ideia de que toda circundução seja simplesmente uma compensação para menor flexão do joelho.

Esses achados não significam que clearance não importe.

Significam que o sistema nervoso pós AVC pode manter padrões de coordenação que não desaparecem automaticamente quando uma única variável biomecânica melhora.

É por isso que raciocínio clínico e treino motor precisam caminhar juntos.

A falta de propulsão pode participar da circundução?

Pode. O que acontece antes de o pé sair do chão influencia a capacidade de flexionar o joelho e avançar o membro.

A fase de pré-balanço ajuda a preparar a perna para sair do apoio.

Uma revisão recente sobre marcha de joelho rígido e estudos biomecânicos mais novos mostram que o movimento do joelho durante o balanço depende da interação entre quadril, joelho e tornozelo e das forças produzidas entre os segmentos.

Isso quebra outra simplificação comum:

“o joelho não dobra porque o quadríceps está espástico.”

Em alguns pacientes, esse componente pode participar. Em outros, a origem do problema pode estar na produção e transmissão das forças necessárias para iniciar o balanço.

Se a causa muda, a estratégia terapêutica também precisa mudar.

Espasticidade causa circundução?

Pode contribuir em alguns casos, mas não deveria ser assumida como explicação automática.

Espasticidade de músculos que dificultam flexão do joelho ou dorsiflexão pode interferir na passagem da perna.

Porém, marcha rígida também pode resultar de coativação, perda de controle motor seletivo, alterações musculoesqueléticas, baixa velocidade e estratégias de estabilidade.

Por isso, a perna parecer “dura” enquanto faz circundução não prova que reduzir tônus resolverá o movimento lateral.

É preciso avaliar se a atividade muscular excessiva realmente está produzindo a limitação funcional observada.

Fraqueza do quadril causa circundução?

Não existe base para concluir que toda circundução aconteça porque o quadril está fraco.

O quadril participa do avanço do membro e precisa ser avaliado, mas a circundução envolve uma estratégia tridimensional resultante da interação entre vários segmentos.

Uma pessoa pode apresentar fraqueza de flexores do quadril e ter dificuldade para avançar a perna.

Outra pode utilizar abdução excessiva apesar de conseguir produzir força adequada em determinados testes.

Por isso, fortalecer o quadril sem descobrir qual movimento está faltando dentro da marcha pode não modificar o padrão.

Circundução aumenta o risco de tropeço?

Ela pode ser uma tentativa de reduzir o risco de tropeço, justamente criando espaço para o pé passar.

Esse é um ponto importante.

A compensação pode parecer “errada”, mas estar evitando que os dedos prendam no chão.

Ao mesmo tempo, se o movimento é insuficiente, inconsistente ou piora com fadiga, ainda pode haver risco.

A capacidade de transpor obstáculos também merece atenção, porque pessoas pós AVC que têm dificuldade nessa tarefa apresentam padrões de marcha diferentes e podem ter maior incidência de quedas.

Por isso, a segurança deve ser testada em tarefas próximas da vida real, não apenas observada em um corredor livre.

Como a fisioterapia avalia a circundução?

A avaliação precisa descobrir em que momento a perna começa a fazer o arco e quais alterações tornam esse movimento necessário.

Podem ser analisados:

  • flexão do joelho no balanço;
  • dorsiflexão;
  • avanço do quadril;
  • mobilidade de tornozelo, joelho e quadril;
  • força;
  • controle motor;
  • tônus;
  • sensibilidade;
  • propulsão;
  • elevação da pelve;
  • inclinação do tronco;
  • comportamento do membro não afetado;
  • velocidade;
  • tamanho do passo;
  • fadiga;
  • uso de órtese ou dispositivo.

Vídeos podem ajudar a comparar a marcha em diferentes velocidades e condições.

Em alguns pacientes, modificar uma variável durante a própria avaliação ajuda a testar hipóteses.

Não existe tratamento individualizado sem avaliação individualizada.

Como a Fisioterapia Neurológica pode trabalhar a circundução?

O tratamento depende do mecanismo e deve melhorar a capacidade de avançar a perna, não simplesmente proibir o movimento lateral.

Conforme a avaliação, podem entrar:

  • treino de flexão do joelho;
  • melhora do avanço do membro;
  • fortalecimento funcional;
  • treino de controle motor;
  • mobilidade;
  • transferência de peso;
  • trabalho de propulsão;
  • dorsiflexão;
  • Estimulação Elétrica Funcional;
  • órtese quando indicada;
  • treino de marcha;
  • esteira;
  • obstáculos;
  • treino de velocidade e resistência.

O NICE recomenda treino repetitivo de tarefas de membro inferior e treino de caminhada e orienta considerar AFO quando há dificuldade de clearance na fase de balanço. As Diretrizes Brasileiras também incluem treino de marcha, FES e órteses entre os recursos possíveis para pacientes selecionados.

A técnica vem depois da hipótese clínica.

Corrigir a circundução deixa a marcha automaticamente melhor?

Não.

O padrão pode ficar visualmente mais próximo do esperado e, ainda assim, a pessoa caminhar mais devagar, com mais esforço ou insegurança.

Um estudo sobre estratégias frontais pós AVC mostrou que alguns dos participantes mais rápidos utilizavam circundução significativa para superar déficits de flexão do joelho ou dorsiflexão.

Isso não significa que mais circundução seja melhor.

Mostra apenas que aparência e desempenho não são a mesma coisa.

Qualquer tentativa de modificar o padrão deve acompanhar velocidade, clearance, segurança, distância, esforço e independência.

Órtese pode diminuir a circundução?

Pode ajudar quando o movimento lateral está relacionado à dificuldade de posicionamento do tornozelo e passagem do pé, mas o efeito depende do mecanismo.

Uma AFO pode melhorar clearance e modificar a mecânica do membro em algumas pessoas.

Se a principal limitação for outra, como pouca flexão do joelho por mecanismo proximal, o efeito sobre a circundução pode ser parcial.

Por isso, a órtese precisa ser testada caminhando e não escolhida apenas porque a pessoa “abre a perna”.

FES pode ajudar?

Pode ser útil quando dificuldade de dorsiflexão contribui para a falta de clearance.

A Estimulação Elétrica Funcional pode favorecer o posicionamento do tornozelo durante o balanço em pacientes selecionados.

Mas, se a circundução está principalmente relacionada à dinâmica do joelho, quadril ou propulsão, estimular dorsiflexores não necessariamente resolverá todo o padrão.

O recurso precisa corresponder ao mecanismo.

Como saber se a circundução está realmente melhorando?

Não basta medir se a perna abre menos.

A evolução pode aparecer como:

  • melhor passagem do pé;
  • maior flexão do joelho;
  • menor necessidade de elevar a pelve;
  • menor inclinação do tronco;
  • maior velocidade;
  • passos mais eficientes;
  • menor fadiga;
  • menos tropeços;
  • melhor desempenho em obstáculos;
  • maior segurança na rua.

Se a circundução diminui, mas a pessoa começa a prender o pé, não houve uma melhora funcional.

A evolução precisa aparecer na função, não apenas na estética da marcha.

A Estimulação Magnética Transcraniana pode ajudar?

A EMT pode ser considerada como recurso complementar para recuperação motora em pacientes selecionados, mas não é um tratamento específico para circundução.

Quando existe indicação, a neuromodulação precisa estar associada ao treinamento do componente funcional que queremos modificar.

Se o problema envolve avanço da perna, flexão do joelho, dorsiflexão ou coordenação, esses elementos continuam precisando ser treinados.

Modular redes cerebrais não substitui ensinar o sistema a produzir uma solução melhor durante a marcha.

Mito ou verdade: jogar a perna para o lado é um “vício” que precisa ser cortado

Mito.

Chamar a circundução de vício sugere que a pessoa escolheu um jeito errado de andar e basta corrigir o hábito.

Na realidade, o padrão pode estar relacionado a limitações neurológicas e biomecânicas e pode ter surgido porque permitiu que a pessoa continuasse caminhando.

Com o tempo, uma estratégia pode se tornar mais consolidada, mas isso não apaga o motivo pelo qual apareceu.

Antes de pedir que a pessoa abandone a estratégia, precisamos oferecer uma solução funcional melhor.

Quando procurar uma Fisioterapia Neurológica especializada?

Uma avaliação especializada pode ser importante quando a circundução aumenta tropeços, esforço, dor, dificuldade para caminhar na rua ou impede progressão da marcha.

Isso inclui:

  • arco lateral muito acentuado;
  • elevação excessiva da pelve;
  • pouca flexão do joelho;
  • pé arrastando;
  • grande inclinação do tronco;
  • fadiga precoce;
  • dificuldade em obstáculos;
  • piora quando aumenta a velocidade;
  • ausência de mudança apesar de exercícios repetidos.

A pergunta não deve ser apenas:

“Como fechar essa perna?”

Precisa ser:

“O que falta para esse membro conseguir encurtar e avançar com segurança por uma trajetória mais eficiente?”

Avaliação da circundução pós AVC na Balance Fisioterapia Neurológica

Na Balance Fisioterapia Neurológica, em Moema, a circundução não é tratada como um “jeito errado de andar” que precisa simplesmente ser corrigido.

A avaliação busca identificar por que a perna está precisando seguir uma trajetória lateral e quais componentes de quadril, joelho, tornozelo, pelve, controle motor e propulsão participam desse padrão.

Conforme o caso, o tratamento pode integrar treino orientado à tarefa, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, fortalecimento funcional, mobilidade, estimulação elétrica e sensorial, equilíbrio, treino de flexão do joelho, avanço do membro, marcha, esteira e condicionamento.

Também avaliamos quando recursos como FES ou órteses podem facilitar a passagem do pé.

Em pacientes selecionados, a Estimulação Magnética Transcraniana pode ser associada à Fisioterapia Neurológica.

O objetivo não é apenas fazer a perna abrir menos. É construir uma maneira de avançá-la com mais segurança, eficiência e utilidade na vida real.

A pessoa continua jogando a perna para o lado mesmo depois de meses de exercícios?

Uma avaliação neurofuncional da marcha pode identificar se a principal limitação está no joelho, tornozelo, quadril, propulsão, mobilidade ou controle motor.

Isso permite decidir qual componente deve ser priorizado e acompanhar se a mudança realmente melhora a caminhada.

Agende uma avaliação com a equipe da Balance Fisioterapia Neurológica.

Perguntas frequentes sobre circundução pós AVC

Circundução significa que o quadril está fraco?

Não necessariamente. Fraqueza pode participar, mas pouca flexão de joelho, dorsiflexão insuficiente, controle motor e outros fatores também podem levar ao movimento em arco.

Circundução é causada pelo pé caído?

Pode ser favorecida pelo pé caído, mas não é sempre causada por ele. O mecanismo precisa ser analisado em toda a perna.

Jogar a perna para o lado é uma compensação?

Frequentemente funciona como estratégia para permitir a passagem do membro, mas estudos mostram que nem toda circundução pode ser explicada por uma compensação mecânica simples.

A circundução pode melhorar com fisioterapia?

Pode melhorar em alguns pacientes. O resultado depende do mecanismo, da fase pós AVC, dos componentes modificáveis e da resposta ao treinamento.

Órtese ajuda na circundução?

Pode ajudar quando melhora o clearance do pé ou a mecânica do membro. A indicação deve ser testada individualmente durante a marcha.

A pessoa precisa parar de fazer circundução imediatamente?

Não. Retirar a estratégia sem garantir passagem segura do pé pode aumentar tropeços. A mudança deve acontecer junto com a construção de uma alternativa funcional melhor.

Conclusão: a perna vai para o lado porque o sistema está tentando fazer o passo acontecer

Circundução chama atenção porque altera claramente a trajetória da perna.

Mas o movimento lateral pode ser apenas a parte visível de um problema que envolve joelho, tornozelo, quadril, propulsão, controle motor e coordenação.

Por isso, dois raciocínios são insuficientes:

“Está abrindo a perna porque o quadril está fraco.”

e

“É um vício, precisa parar.”

A pessoa pode estar utilizando esse movimento justamente para conseguir passar o pé sem tropeçar.

A pergunta mais útil é:

“O que está impedindo essa perna de encurtar e avançar de maneira mais eficiente durante o balanço?”

A circundução é a estratégia que vemos.

A reabilitação precisa descobrir qual problema ela está tentando resolver.

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