Por Dra. Giulianna Mendes Ferrero — Fisioterapeuta Neurofuncional
CREFITO 3: 159232-F
Balance Fisioterapia Neurológica — Moema, São Paulo
Especializada em Fisioterapia Neurológica e Reabilitação Pós AVC
“Ele ainda não consegue ficar em pé sozinho. Será que vai voltar a andar?”
“Já começou a dar alguns passos com ajuda. Isso significa que vai caminhar sem apoio?”
“Se já passaram seis meses, ainda existe chance de recuperar a marcha?”
Voltar a andar é um dos objetivos mais frequentes depois de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Também é uma das funções que mais geram ansiedade porque a caminhada representa muito mais do que mover as pernas: ela interfere em ir ao banheiro, circular pela casa, sair para a rua, trabalhar, visitar pessoas e recuperar independência.
A boa notícia é que muitas pessoas conseguem voltar a caminhar depois de um AVC, inclusive algumas que inicialmente não conseguem andar. Mas não existe garantia nem um prazo único.
O prognóstico depende de fatores como força e controle da perna, capacidade de sustentar o tronco, equilíbrio, sensibilidade, cognição, negligência espacial, integridade das vias motoras, gravidade do AVC e resposta ao treinamento.
Por isso, a pergunta não deveria ser apenas “vai voltar a andar?”, mas o que está impedindo essa pessoa de caminhar hoje e quais componentes ainda podem ser treinados para aproximá-la desse objetivo.
Resposta rápida: é possível voltar a andar depois de um AVC?
Sim, muitas pessoas conseguem recuperar a capacidade de caminhar depois de um AVC, mesmo quando inicialmente precisam de ajuda. A possibilidade e o tempo variam bastante. Força da perna, controle sentado, equilíbrio, cognição, integridade das vias motoras e independência inicial estão entre os fatores relacionados ao prognóstico da marcha. Algumas pessoas voltam a caminhar sem ajuda; outras utilizam bengala, andador ou órtese; e algumas permanecem necessitando de assistência.
Em resumo
- Muitas pessoas voltam a andar depois de um AVC, mas não existe garantia individual.
- Não caminhar nas primeiras semanas não significa necessariamente que a marcha não será recuperada.
- Força da perna é importante, mas não basta.
- Tronco, equilíbrio, sensibilidade, cognição e resistência também interferem.
- Caminhar com bengala ou órtese ainda pode representar independência funcional.
- A marcha precisa ser treinada de forma específica, progressiva e segura.
- O resultado não é apenas “andar ou não andar”: velocidade, distância e segurança também importam.
O que precisa acontecer para uma pessoa voltar a andar?
Caminhar exige a integração de vários sistemas ao mesmo tempo. Por isso, recuperar movimento da perna não significa automaticamente recuperar a marcha.
Durante um passo, a pessoa precisa sustentar o peso em uma perna enquanto a outra avança. O tronco precisa permanecer organizado. O equilíbrio precisa se adaptar ao deslocamento do corpo. O pé precisa sair do chão e depois receber carga novamente. A velocidade precisa ser adequada ao ambiente.
Além disso, o cérebro precisa utilizar informações visuais e sensitivas para ajustar o movimento.
Depois do AVC, uma ou várias dessas etapas podem estar comprometidas. Por isso, duas pessoas que apresentam “fraqueza na perna” podem ter dificuldades de marcha completamente diferentes.
Uma pode não sustentar o peso. Outra pode sustentar, mas não avançar adequadamente a perna. Outra pode ter força suficiente e perder equilíbrio quando tenta caminhar.
A marcha não é um exercício de perna. É uma tarefa funcional complexa.
Quem não anda logo depois do AVC ainda pode voltar a caminhar? Sim. Não conseguir caminhar nas primeiras semanas não significa que a pessoa permanecerá sem andar.
Uma revisão sistemática com 2.344 pessoas que não caminhavam no primeiro mês após o AVC identificou vários fatores associados à recuperação da caminhada independente em três meses. Entre eles estavam menor idade, trato corticoespinal preservado, boa força na perna, ausência de comprometimento cognitivo importante, ausência de negligência espacial, bom controle sentado e maior independência nas atividades de vida diária.
Existem pessoas inicialmente não ambulatórias que recuperam marcha independente, e o prognóstico não pode ser feito olhando apenas para um fator.
Uma pessoa pode ter pouca força, mas boa cognição e tronco. Outra pode ter força melhor, mas apresentar negligência ou grande dificuldade de equilíbrio. A avaliação precisa combinar essas informações.
Quanto tempo leva para voltar a andar depois de um AVC? Não existe um prazo único. Algumas pessoas voltam a caminhar nas primeiras semanas, outras precisam de meses e algumas permanecem utilizando assistência ou dispositivos.
Os primeiros três meses são especialmente importantes porque concentram maior influência da recuperação neurológica espontânea. Mas isso não transforma três ou seis meses em uma data de validade.
Uma revisão sistemática de 2024 encontrou 30 modelos prognósticos diferentes para recuperação da marcha independente pós AVC, divididos entre fases subaguda e crônica. Isso reforça que a previsão depende de várias características clínicas e funcionais, e não apenas do tempo.
Na fase crônica, a pessoa também pode melhorar aspectos da marcha como velocidade, resistência, equilíbrio e segurança.
O olhar da Fisioterapia Neurofuncional
Voltar a mexer a perna não significa automaticamente voltar a caminhar
Essa é uma das confusões mais frequentes na recuperação pós AVC. Uma pessoa pode conseguir levantar a perna quando está deitada e ainda não conseguir avançá-la adequadamente durante a marcha.
Pode apresentar força razoável no joelho e não conseguir transferir o peso para aquele lado. Pode movimentar o tornozelo e continuar tropeçando porque o movimento não acontece na velocidade e no momento necessários durante o passo.
Também pode caminhar dentro das barras paralelas e ainda não estar pronta para caminhar sozinha na rua.
A marcha precisa funcionar dentro da tarefa, e não apenas aparecer em movimentos isolados.
Na Fisioterapia Neurofuncional, a pergunta não é apenas: Quais músculos estão fracos?
Precisamos perguntar: Em qual momento da marcha a tarefa falha e qual componente está produzindo essa falha?
Essa diferença muda completamente o raciocínio do tratamento.
A força da perna é o principal fator para voltar a andar? A força é importante, mas não é suficiente.
A revisão de pessoas inicialmente não ambulatórias associou boa força da perna a maior chance de caminhada independente, mas também destacou controle sentado, independência inicial, cognição e integridade do trato corticoespinal.
Fortalecer pode fazer parte da reabilitação, mas o objetivo é transformar capacidade muscular em desempenho funcional.
Ganhar força sem mudança na marcha exige investigar o que ainda limita a tarefa.
O controle do tronco interfere na marcha? Muito. Bom controle sentado e de tronco aparece como fator relacionado ao prognóstico da caminhada.
Durante a marcha, o tronco precisa controlar deslocamentos e permitir transferência de peso. Quando isso falha, cada passo se torna mais difícil e inseguro.
Por isso, em alguns pacientes, trabalhar apenas a perna ignora um componente central da marcha.

O equilíbrio pode impedir alguém de andar mesmo quando existe força? Sim.
Uma pessoa pode ter força suficiente para ficar em pé e ainda não ter equilíbrio suficiente para caminhar com segurança. Caminhar exige equilíbrio dinâmico. O corpo está continuamente saindo de uma posição estável e reorganizando a base de apoio a cada passo.
As Diretrizes Brasileiras de Reabilitação recomendam treino específico de equilíbrio, apoio unilateral e marcha e destacam que alterações de equilíbrio e controle postural afetam atividade e participação.
Por isso, “já fica em pé” não significa automaticamente “já pode andar sozinho”.
Sensibilidade também interfere na marcha? Sim. A pessoa precisa perceber contato, posição e movimento para organizar o passo.
Quando a sensibilidade está comprometida, pode ter dificuldade para saber quanto peso colocou na perna ou onde o pé está. Em alguns casos, passa a depender mais da visão para compensar.
Força sem informação sensorial suficiente pode não produzir uma marcha eficiente.
Cognição e negligência podem dificultar a recuperação da caminhada? Sim.
Na revisão prognóstica, ausência de comprometimento cognitivo e ausência de negligência espacial estiveram associadas a maior chance de caminhar independentemente. Isso acontece porque caminhar não é apenas uma tarefa muscular.
A pessoa precisa manter atenção, compreender o ambiente, perceber obstáculos, mudar de direção e tomar decisões rapidamente. Na negligência espacial, por exemplo, ela pode deixar de perceber adequadamente obstáculos de um lado, aumentando risco durante a mobilidade.
Por isso, o treino de marcha precisa considerar também como a pessoa percebe e utiliza o ambiente.
Pé caído significa que a pessoa não poderá voltar a andar? Não. Pé caído é uma alteração que pode interferir na fase de balanço da marcha, mas existem diferentes estratégias de tratamento e compensação.
Dependendo da causa e da avaliação, podem ser considerados treino motor, fortalecimento, Estimulação Elétrica Funcional e órtese tornozelo-pé.
As Diretrizes Brasileiras recomendam considerar AFO para pessoas com dificuldade de elevação do pé durante o balanço ou controle durante o apoio e apontam que FES dos dorsiflexores pode melhorar posicionamento do tornozelo e mobilidade em alguns pacientes.
A órtese não significa que a recuperação “falhou”. Se ela reduz tropeços e permite caminhar com maior segurança, pode ampliar independência enquanto outros componentes continuam sendo treinados.
Usar bengala ou andador significa que a pessoa não recuperou a marcha? Não. Caminhar com um dispositivo pode representar uma recuperação funcional importante.
A definição de caminhada independente utilizada em estudos prognósticos frequentemente permite o uso de dispositivo, desde que a pessoa não necessite de ajuda física de outra pessoa.
Isso é uma distinção importante.
Para alguém que antes precisava ser carregado ou auxiliado por duas pessoas, conseguir caminhar com uma bengala pode transformar completamente a rotina.
O dispositivo deve ser escolhido conforme segurança, equilíbrio, capacidade de utilizá-lo corretamente e objetivos da pessoa.
Independência não significa necessariamente caminhar sem nenhum recurso.
Como saber se a marcha está realmente melhorando?
Não basta dizer que a pessoa “já está andando”. É necessário medir como ela anda.
A evolução pode aparecer em:
- Menor necessidade de ajuda, maior velocidade, maior distância, menos tropeços e menos pausas.
- Melhor capacidade de virar, menor necessidade de apoio e maior segurança.
- Capacidade de caminhar em diferentes ambientes e maior participação fora de casa.
Uma pessoa pode caminhar dez metros e continuar sem mobilidade comunitária. Por outro lado, aumentar resistência pode permitir voltar a sair com a família mesmo que o padrão da marcha ainda esteja alterado.
A evolução precisa aparecer na função e no contexto em que essa marcha será utilizada.
Caminhar na clínica significa estar pronto para caminhar na rua? Não. A rua exige muito mais do sistema motor e cognitivo do que um corredor controlado.
Calçadas, desníveis, pessoas, obstáculos, mudanças de velocidade, distrações, dupla tarefa e fadiga tornam a tarefa mais complexa.
Conforme segurança e capacidade evoluem, a reabilitação precisa aproximar o treinamento dessas demandas.
A meta não é apenas produzir passos. É produzir mobilidade útil na vida.

Como a Fisioterapia Neurológica trabalha para recuperar a marcha?
O tratamento precisa identificar quais componentes estão limitando a caminhada e treiná-los de forma integrada à tarefa.
Dependendo da avaliação, podem fazer parte:
- Treino de controle de tronco, transferência de peso, sentar e levantar;
- Fortalecimento funcional, equilíbrio e treino orientado à tarefa;
- Prática de marcha, esteira, treino de velocidade e condicionamento cardiorrespiratório;
- Estimulação Elétrica Funcional, órteses e treino em ambientes progressivamente mais complexos.
O NICE recomenda treino repetitivo de tarefas de membro inferior, incluindo sentar e levantar, caminhar e usar escadas. Também recomenda treino de caminhada para pessoas que conseguem andar com ou sem assistência, com objetivo de aumentar resistência e velocidade, e considera esteira com ou sem suporte parcial de peso como uma opção.
As Diretrizes Brasileiras também recomendam programas que combinam condicionamento cardiorrespiratório e resistência para melhorar marcha, além de treino de circuito e outras estratégias específicas.
A técnica é escolhida depois de identificar o problema.
É preciso praticar a própria caminhada para voltar a andar?
Quando clinicamente seguro e possível, a prática específica da marcha é um componente importante da reabilitação.
Se o objetivo é caminhar, exercícios preparatórios podem ser necessários, mas não deveriam substituir indefinidamente a própria tarefa.
O NICE recomenda treino de caminhada e treino repetitivo de tarefas. Isso não significa colocar uma pessoa para caminhar sem segurança.
Pode ser necessário utilizar apoio do terapeuta, barras, dispositivo, esteira, suspensão parcial de peso ou outra estratégia.
O princípio é criar oportunidade para praticar elementos da função desejada dentro da capacidade atual.
Esteira ajuda a voltar a andar? Pode fazer parte do tratamento em pacientes selecionados para treinar repetição, velocidade e resistência, mas não é uma solução isolada.
NICE e Diretrizes Brasileiras consideram a esteira, com ou sem suporte de peso, em determinados perfis funcionais.
A indicação precisa responder: O que queremos modificar na marcha utilizando a esteira?
Quanto de fisioterapia é necessário para recuperar a marcha? Não existe uma quantidade universal de sessões que garanta voltar a andar.
Dose importa, mas precisa considerar fase do AVC, condição clínica, objetivo e capacidade de participação. O NICE recomenda reabilitação multidisciplinar baseada em necessidades e, para quem consegue participar, maior intensidade ligada aos objetivos.
Isso não significa que aumentar sessões indefinidamente garanta marcha independente.
Mais prática precisa vir acompanhada de especificidade, progressão e medida de resultado.
Depois de seis meses ainda é possível melhorar a caminhada? Sim. A fase crônica não elimina a possibilidade de ganhos de marcha.
A influência da recuperação espontânea diminui, mas treino, condicionamento, aprendizagem e adaptação continuam relevantes.
A diretriz europeia de reabilitação motora de 2025 recomenda, em pessoas selecionadas na fase crônica e clinicamente estáveis, treino de marcha de alta intensidade para melhorar resistência e apresenta recomendação mais fraca para velocidade.
Isso não significa que esse tipo de treino seja indicado para todos.
Mostra que fase crônica não é sinônimo de marcha congelada.
E se a pessoa está fazendo fisioterapia, mas não consegue evoluir na marcha?
É necessário investigar qual componente está impedindo a próxima mudança.
Fraqueza, tronco, transferência de peso, sensibilidade, espasticidade, dor, medo de cair, negligência, fadiga, baixo condicionamento, dispositivo inadequado ou treino sem progressão podem limitar a marcha.
Também podem existir limites importantes relacionados à própria lesão.
Platô merece análise, não promessa.
A Estimulação Magnética Transcraniana pode ajudar na recuperação da marcha?
Pode ser considerada como recurso complementar em pacientes selecionados, mas não deve ser apresentada como uma forma de fazer alguém voltar a andar automaticamente.
A Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva utiliza campos magnéticos para modular a atividade de regiões e redes cerebrais e vem sendo estudada em diferentes desfechos motores pós AVC.
A evidência ainda varia conforme protocolo, alvo, fase do AVC e características do paciente. Quando existe indicação, a lógica é associar a modulação cerebral ao treinamento da função desejada.
Na Balance, isso significa que a EMT não substitui o treino de marcha e a Fisioterapia Neurológica.
Estimular o cérebro não ensina sozinho o corpo a caminhar. A marcha precisa ser treinada.
Mito ou verdade: se a pessoa usa bengala, nunca vai voltar a andar “de verdade”?
Mito: Bengala, andador ou órtese podem aumentar segurança e independência. A necessidade do dispositivo pode mudar com a evolução, mas retirá-lo não deve ser um objetivo apenas estético.
A melhor marcha não é necessariamente a marcha sem recurso. É a marcha mais segura e funcional naquele momento.
Quando procurar uma Fisioterapia Neurológica especializada? Uma avaliação especializada pode ser importante quando a pessoa ainda não voltou a caminhar, depende de muita assistência ou já anda, mas a marcha permanece lenta, insegura ou limitada.
Isso inclui:
- Dificuldade para sustentar-se em pé, necessidade de ajuda para dar passos, quedas ou tropeços e pé arrastando.
- Joelho instável, dificuldade para transferir peso e baixa resistência.
- Medo de caminhar, dificuldade para sair de casa e evolução aparentemente estacionada.
A avaliação não serve apenas para dizer se “vai andar”. Serve para descobrir o que está impedindo a marcha hoje.
Reabilitação da marcha pós AVC na Balance Fisioterapia Neurológica
Na Balance Fisioterapia Neurológica, em Moema, voltar a andar não é tratado como um problema apenas de força da perna.
A avaliação busca identificar em qual parte da tarefa a marcha está falhando e quais componentes estão produzindo essa dificuldade.
Analisamos, conforme cada caso, controle motor, força, tronco, transferência de peso, equilíbrio, sensibilidade, posicionamento dos pés, resistência, necessidade de dispositivos e capacidade de caminhar em diferentes situações.
O tratamento pode integrar treino orientado à tarefa, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, fortalecimento funcional, estimulação elétrica e sensorial, equilíbrio, marcha, esteira, suspensão parcial de peso e condicionamento.
Em pacientes selecionados, a Estimulação Magnética Transcraniana também pode ser associada à Fisioterapia Neurológica.
O objetivo não é apenas produzir passos dentro da clínica. É transformar a marcha em uma forma mais segura e independente de participar da vida.
Seu familiar ainda não voltou a andar ou a caminhada continua muito limitada?
O tempo desde o AVC, sozinho, não mostra o que está impedindo a marcha.
Uma avaliação neurofuncional pode identificar quais componentes estão preservados, quais limitam o caminhar e quais objetivos podem ser trabalhados com segurança.
Agende uma avaliação com a equipe da Balance Fisioterapia Neurológica.
Perguntas frequentes sobre voltar a andar depois do AVC
Toda pessoa volta a andar depois de um AVC? Não.
Muitas pessoas recuperam caminhada independente, mas algumas permanecem necessitando de assistência ou não recuperam marcha funcional. O prognóstico é individual.
Quem não anda no primeiro mês ainda pode voltar a caminhar? Sim.
Estudos mostram recuperação de marcha independente em parte das pessoas inicialmente não ambulatórias. Força da perna, tronco, cognição, negligência, independência e integridade das vias motoras ajudam no prognóstico.
Quanto tempo demora para voltar a andar? Não existe um prazo único.
Algumas pessoas caminham em semanas, outras em meses. O tempo depende da gravidade e das capacidades preservadas.
Voltar a andar com bengala conta como recuperação? Sim.
Caminhar com um dispositivo, sem depender de ajuda física de outra pessoa, pode representar independência de marcha e grande ganho funcional.
Pé caído impede recuperar a caminhada? Não necessariamente.
O impacto depende da causa e de outras capacidades. Órtese, FES e treinamento motor podem ser considerados conforme a avaliação.
Depois de um ano ainda é possível melhorar a marcha? Sim, em alguns casos.
Velocidade, resistência, equilíbrio e segurança podem continuar respondendo ao treinamento na fase crônica.
Conclusão: voltar a andar é mais do que voltar a mexer as pernas
Depois de um AVC, recuperar a marcha é possível para muitas pessoas. Mas caminhar depende de muito mais do que força.
Tronco, equilíbrio, controle motor, sensibilidade, cognição, resistência e capacidade de adaptar o movimento ao ambiente participam de cada passo.
Por isso, existem dois erros frequentes: A perna já mexe, então logo vai andar, e ainda não anda, então não vai mais andar.”
Nenhum deles substitui avaliação.
A pergunta clinicamente mais útil é: O que está impedindo esta pessoa de sustentar, avançar e controlar o corpo durante a caminhada e quais desses componentes ainda podem ser modificados?
Voltar a andar não é recuperar um movimento isolado. É recuperar uma tarefa.
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