Os primeiros 90 dias depois do AVC são realmente os mais importantes?

Os primeiros 90 dias depois do AVC são realmente os mais importantes?

Por Dra. Giulianna Mendes Ferrero — Fisioterapeuta Neurofuncional
CREFITO 3: 159232-F
Balance Fisioterapia Neurológica — Moema, São Paulo
Especializada em Fisioterapia Neurológica e Reabilitação Pós AVC

 

“Disseram que os primeiros três meses são decisivos. Se ele não recuperar agora, depois não recupera mais?”

Essa frase costuma gerar uma pressão enorme em pacientes e famílias depois de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). E ela mistura duas ideias que precisam ser separadas.

Os primeiros 90 dias realmente são um período muito importante. É nessa fase que costuma existir maior influência da recuperação neurológica espontânea e em que determinadas intervenções podem encontrar um sistema nervoso particularmente responsivo.

Mas isso não significa que exista uma porta que se fecha no 91º dia.

A recuperação pós AVC não termina aos três meses, e ninguém deveria interpretar essa janela como uma data de validade. Depois desse período, os mecanismos e a velocidade de evolução podem mudar, mas treinamento, aprendizagem motora, condicionamento, adaptação e prática funcional continuam tendo papel na reabilitação.

A pergunta correta, portanto, não é apenas “quanto tempo passou?”, mas o que está acontecendo em cada fase e como aproveitar bem o potencial disponível naquele momento.

Resposta rápida: os primeiros 90 dias depois do AVC são os mais importantes?

Sim, os primeiros 90 dias são uma fase especialmente importante da recuperação pós AVC, mas não são o único período em que pode haver melhora. Nos primeiros três meses existe maior influência da recuperação neurológica espontânea, e estudos sugerem uma janela de maior sensibilidade para determinados tipos de treinamento. Depois dos 90 dias, porém, ganhos funcionais ainda podem ocorrer por aprendizagem, prática, condicionamento e adaptação.

Em resumo

  • 0–3 meses: maior peso da recuperação neurológica espontânea.
  • Os 90 dias são importantes, mas não são uma data de validade.
  • 60–90 dias: um estudo clínico encontrou maior resposta a uma dose adicional específica de treino motor de membro superior.
  • Após 3 meses: aprendizagem, treinamento e adaptação ganham maior protagonismo.
  • Após 6 meses: ainda podem existir ganhos funcionais.
  • Mais cedo não significa automaticamente mais intenso: o momento, a dose e a condição clínica importam.

Por que os primeiros 90 dias são considerados uma fase tão importante?

Porque nos primeiros meses a recuperação relacionada aos processos biológicos espontâneos costuma ser mais intensa e ocorre simultaneamente à reabilitação.

Depois de um AVC, o tecido cerebral e as redes neurais passam por mudanças relacionadas à própria lesão e à resposta do sistema nervoso. Ao mesmo tempo, o paciente começa a reaprender movimentos e tarefas.

As Diretrizes Brasileiras de Reabilitação do AVC destacam que uma parcela importante da melhora costuma ocorrer nos primeiros três meses e alertam que a recuperação espontânea nesse período pode até dificultar a separação entre aquilo que melhorou naturalmente e aquilo que foi efeito de uma intervenção específica.

Isso ajuda a explicar por que muitos pacientes apresentam mudanças rápidas nas primeiras semanas.

Mas existe um ponto essencial: importante não significa exclusivo.

Os primeiros três meses concentram processos particularmente favoráveis à recuperação, mas não representam a única fase em que o sistema nervoso consegue aprender ou em que a função pode melhorar.

O que acontece no cérebro durante esses primeiros meses?

Os primeiros meses combinam recuperação biológica espontânea com aprendizagem dependente de uso e treinamento.

O consenso da European Stroke Organisation diferencia justamente esses mecanismos. A restituição motora inicial é fortemente influenciada por processos biológicos espontâneos, enquanto a reabilitação motora utiliza mecanismos dependentes de aprendizagem e uso para melhorar função, atividade e participação.

Essa diferença é importante porque impede um raciocínio simplista.

Se uma pessoa melhora muito nas primeiras semanas, não podemos atribuir toda a mudança exclusivamente à fisioterapia.

Da mesma forma, quando os mecanismos espontâneos diminuem, não podemos concluir que a fisioterapia deixou de ter sentido.

O que muda é o peso relativo dos diferentes mecanismos envolvidos.

Os primeiros 90 dias formam uma “janela crítica” de recuperação?

Existe evidência de um período de maior sensibilidade ao treinamento motor, mas é mais correto falar em uma janela sensível do que em uma janela que se fecha completamente.

Um dos estudos mais citados sobre esse tema é o Critical Period After Stroke Study, ou CPASS.

O ensaio avaliou uma dose adicional de 20 horas de terapia motora para membro superior iniciada em diferentes momentos após o AVC. O maior efeito dessa intervenção específica foi observado quando o treinamento adicional começou entre aproximadamente 60 e 90 dias. O efeito foi menor quando iniciado até 30 dias e não foi significativo quando aplicado seis meses ou mais após o AVC naquele protocolo específico.

Esse achado é extremamente interessante.

Mas também é frequentemente interpretado de maneira errada.

O estudo não mostrou que toda fisioterapia funciona apenas entre 60 e 90 dias.

Também não mostrou que depois de seis meses “o cérebro não responde mais”.

Ele avaliou uma intervenção específica, com uma dose específica e um desfecho específico de membro superior.

Portanto, a mensagem não é: “Depois de 90 dias acabou.”

A mensagem é: “Existe evidência de que o momento em que determinado treinamento é aplicado pode influenciar a magnitude da resposta.”

Então devemos fazer o máximo de fisioterapia possível logo nos primeiros dias?

Não. Começar cedo é importante quando clinicamente seguro, mas “quanto mais cedo e mais intenso, melhor” não é uma regra universal.

Esse é um dos pontos mais importantes deste artigo.

A fase inicial após um AVC também é um período de instabilidade clínica. Pressão arterial, condição cardiovascular, estado neurológico, fadiga, nível de consciência e outras condições precisam ser considerados.

O estudo AVERT avaliou mobilização muito precoce, frequente e em maior dose iniciada dentro das primeiras 24 horas. Nesse ensaio, o grupo submetido ao protocolo de mobilização muito precoce teve menor chance de um desfecho funcional favorável em três meses do que o grupo que recebeu o cuidado habitual.

Isso não significa que o paciente deva permanecer imóvel.

Significa que dose, momento e segurança clínica precisam ser individualizados.

O NICE recomenda que a reabilitação intensiva comece assim que for seguro e que o conteúdo e a intensidade das sessões sejam adaptados às necessidades médicas, fadiga, objetivos e capacidade de participação da pessoa.

O olhar da Fisioterapia Neurofuncional

A melhor maneira de aproveitar os primeiros 90 dias não é “fazer tudo”; é treinar o que realmente precisa recuperar, na dose que aquela pessoa consegue transformar em aprendizagem

Quando uma família escuta que os primeiros três meses são importantes, a reação pode ser tentar preencher cada hora possível com exercícios.

Mas quantidade sem direção não é sinônimo de boa reabilitação.

Imagine um paciente cuja principal dificuldade é caminhar. Ele pode passar muito tempo realizando exercícios isolados de força e, ainda assim, continuar sem treinar adequadamente transferência de peso, controle de tronco, equilíbrio, avanço do membro e a própria marcha.

Outro paciente pode realizar centenas de movimentos de braço, mas quase nunca utilizar esse membro em uma tarefa significativa.

Nos primeiros 90 dias, existe uma oportunidade importante.

A pergunta não deveria ser “como fazer o máximo possível?”, mas “quais experiências motoras são mais relevantes para a função que queremos recuperar?”

Isso é diferente, dose importa. Mas especificidade, progressão, qualidade da prática e relação com a função também importam.

O que deveria ser prioridade nos primeiros 90 dias?

A prioridade deve ser identificar as sequelas, prevenir complicações, definir objetivos funcionais e iniciar treinamento adequado à condição clínica e às necessidades da pessoa.

Não existe um programa único para todo paciente pós AVC.

Dependendo do quadro, pode ser necessário trabalhar:

  • Controle de tronco, capacidade de sentar e levantar.
  • Transferências, equilíbrio, marcha, força e controle motor.
  • Membro superior, sensibilidade, resistência, mobilidade, estratégias para atividades do dia a dia, orientação à família e prevenção de complicações.

As Diretrizes Brasileiras recomendam que as intervenções de reabilitação sejam iniciadas assim que déficits e incapacidades forem identificados e clinicamente seja possível participar.

O objetivo não é cumprir uma lista.

É identificar quais limitações estão impedindo aquela pessoa de recuperar atividades importantes.

Mais horas de terapia nos primeiros 90 dias significam mais recuperação?

Nem sempre de forma linear. A intensidade é importante, mas o efeito depende do tipo de treinamento, da capacidade de participação e do objetivo.

O NICE recomenda reabilitação baseada em necessidades por pelo menos três horas ao dia, cinco dias por semana, para pessoas capazes de participar desse volume. Essas três horas abrangem a reabilitação multidisciplinar, incluindo fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia conforme a necessidade, e não significam três horas diárias de fisioterapia isoladamente.

A diretriz também enfatiza que as sessões precisam estar ligadas aos objetivos da pessoa e adaptadas às necessidades médicas e à fadiga.

Portanto:

mais terapia pode ser importante, mas mais não substitui melhor.

Uma dose que o paciente não consegue sustentar ou que não está relacionada a uma função relevante pode ter valor diferente de uma prática bem direcionada e progressiva.

O que acontece depois dos primeiros 90 dias?

Depois dos três meses a recuperação não termina, mas a contribuição dos mecanismos espontâneos tende a diminuir e o peso da aprendizagem, do treinamento e da adaptação se torna mais evidente.

As Diretrizes Brasileiras ressaltam justamente que a melhora funcional após três meses passa a depender em grande parte de estratégias de aprendizagem e adaptação.

O consenso europeu também descreve a reabilitação motora como um processo baseado em aprendizagem e uso, com trajetória variável entre pessoas e fases.

Isso significa que depois dos 90 dias ainda pode existir trabalho relevante sobre marcha, equilíbrio, membro superior, resistência e autonomia.

O que muda é a maneira de interpretar a evolução.

Nas primeiras semanas, uma grande mudança pode acontecer mesmo enquanto diferentes processos biológicos estão ocorrendo. Mais tarde, precisamos observar com ainda mais atenção se o treinamento está produzindo mudanças específicas e mensuráveis na função.

E depois dos 6 meses?

A fase crônica não significa ausência de potencial funcional.

Pessoas com mais de seis meses de AVC podem continuar se beneficiando de treinamento motor. O guideline da European Stroke Organisation publicado em 2025 traz recomendações para diferentes formas de treino de membro superior e marcha, incluindo intervenções aplicáveis também a pessoas em fase crônica.

O NICE também recomenda que, depois da alta, a reabilitação continue enquanto estiver ajudando a pessoa a atingir seus objetivos terapêuticos.

Isso não significa recuperação infinita nem que todas as sequelas sejam reversíveis.

Significa apenas que:

90 dias não são uma data de validade e seis meses não são um ponto final automático.

Como saber se os primeiros 90 dias estão sendo bem aproveitados?

Não basta contar sessões. É necessário observar se o treinamento está gerando mudanças coerentes com os objetivos funcionais.

Dependendo do caso, podemos perguntar:

  • a pessoa precisa de menos ajuda para levantar?
  • consegue sustentar melhor o tronco?
  • começou a transferir peso?
  • está caminhando mais ou com menos assistência?
  • usa mais o braço nas tarefas?
  • consegue alcançar ou segurar objetos?
  • tolera mais tempo de atividade?
  • consegue participar de tarefas que antes não conseguia?
  • os objetivos estão sendo revistos à medida que evolui?

O consenso europeu recomenda avaliação regular da função motora e da atividade para que os objetivos sejam definidos e ajustados ao longo da reabilitação.

A evolução precisa aparecer na função, não apenas no número de exercícios realizados.

O que precisa ser avaliado nessa fase?

Uma avaliação neurofuncional deve identificar quais componentes estão limitando a função naquele momento e quais deles podem ser trabalhados.

Conforme as sequelas, pode ser necessário avaliar:

  • Força, controle motor, sensibilidade, mobilidade, tônus e espasticidade.
  • Controle de tronco, equilíbrio, transferências, capacidade de levantar, marcha, resistência, uso do braço e da mão.
  • Compensações, dispositivos auxiliares, atividades do cotidiano, grau de independência, objetivos do paciente e da família.

O fato de o paciente estar dentro dos primeiros 90 dias não elimina a necessidade de individualização.

Na verdade, torna a avaliação ainda mais importante, porque a condição pode mudar rapidamente e os objetivos precisam acompanhar essa evolução.

Como a Fisioterapia Neurológica atua nos primeiros 90 dias?

A Fisioterapia Neurológica busca transformar o potencial dessa fase em experiências motoras relevantes, seguras e progressivas.

Dependendo da avaliação, o tratamento pode envolver treino orientado à tarefa, controle de tronco, transferências, fortalecimento funcional, equilíbrio, marcha, treino em esteira, estimulação elétrica funcional, estimulação sensorial, condicionamento e estratégias específicas para membro superior.

Mas a técnica vem depois do raciocínio.

Primeiro precisamos perguntar:

“O que está impedindo essa pessoa de realizar a função que queremos recuperar?”

Depois selecionamos os recursos adequados.

Essa lógica é especialmente importante nos primeiros meses, porque o paciente pode mudar rapidamente. Um exercício que fazia sentido duas semanas antes pode deixar de representar um desafio suficiente, e o programa precisa evoluir com a pessoa.

A Estimulação Magnética Transcraniana pode ser considerada nessa fase?

Sim. Em pacientes selecionados, a Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva pode ser considerada como recurso complementar, mas sua indicação não deve ser baseada apenas no fato de o paciente estar dentro dos primeiros 90 dias.

A EMT utiliza campos magnéticos para modular a atividade de regiões e redes cerebrais e vem sendo estudada como adjuvante da recuperação motora pós AVC.

O raciocínio clínico não deve ser “quanto antes, melhor” de forma automática.

É necessário considerar fase do AVC, objetivo, protocolo, segurança e características individuais.

Quando indicada, a lógica é associar a modulação cerebral ao treinamento da função que queremos melhorar.

A EMT não substitui a Fisioterapia Neurológica.

Mito ou verdade: se os 90 dias passaram, a grande oportunidade foi perdida?

Mito. Os primeiros 90 dias representam uma oportunidade importante, mas não a única oportunidade de recuperação.

O erro está em transformar uma fase de maior sensibilidade em uma sentença.

Se a pessoa teve acesso limitado à reabilitação nesse período, isso não significa que não vale mais a pena avaliar o que pode ser trabalhado.

Também não significa que todos que receberam muita terapia nos primeiros três meses terão recuperação completa.

O prognóstico depende da lesão, das funções preservadas, das sequelas, das condições clínicas e da resposta ao treinamento.

Quando procurar Fisioterapia Neurológica?

A reabilitação deve ser organizada o mais cedo possível quando a pessoa estiver clinicamente segura e apresentar limitações que possam se beneficiar do acompanhamento.

Dificuldade para sentar, levantar, caminhar, equilibrar-se, utilizar braço e mão, realizar transferências ou voltar às atividades do cotidiano são alguns exemplos.

Nos primeiros 90 dias, também é importante reavaliar quando o paciente melhora rapidamente e o programa permanece igual, porque falta de progressão pode reduzir o desafio necessário para continuar aprendendo.

Reabilitação pós AVC na Balance Fisioterapia Neurológica

Na Balance Fisioterapia Neurológica, em Moema, os primeiros 90 dias são tratados como uma fase de grande importância, mas não como uma corrida contra o relógio.

A avaliação identifica quais funções foram comprometidas, o que está preservado e quais componentes estão impedindo o paciente de realizar aquilo que deseja recuperar.

A partir daí, o programa pode integrar treino orientado à tarefa, fortalecimento funcional, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, estimulação elétrica e sensorial, equilíbrio, marcha, esteira, suspensão parcial de peso e outras estratégias de acordo com cada caso.

Em pacientes selecionados, a Estimulação Magnética Transcraniana também pode ser associada à Fisioterapia Neurológica.

O objetivo não é simplesmente “fazer muito” durante os primeiros três meses. É aproveitar essa fase para treinar, com qualidade, aquilo que precisa voltar a fazer parte da vida da pessoa.

O AVC aconteceu recentemente e você não sabe se a reabilitação está aproveitando essa fase?

Os primeiros meses são importantes, mas cada paciente apresenta sequelas, ritmo de evolução e capacidade de participação diferentes.

Uma avaliação neurofuncional permite identificar prioridades, estabelecer objetivos e ajustar o treinamento à fase atual da recuperação.

Agende uma avaliação com a equipe da Balance Fisioterapia Neurológica.

Perguntas frequentes sobre os primeiros 90 dias depois do AVC

Por que todo mundo fala em três meses depois do AVC?

Porque os primeiros três meses concentram uma parcela importante da recuperação neurológica espontânea. Esse período também parece apresentar maior sensibilidade a determinados tipos de treinamento motor.

O terceiro mês é o melhor momento para fazer fisioterapia?

Não existe um único “melhor mês” para toda reabilitação. O tratamento deve começar quando clinicamente seguro. O CPASS encontrou maior efeito de uma intervenção específica de membro superior entre 60 e 90 dias, mas esse resultado não deve ser generalizado para todos os tratamentos.

Fazer fisioterapia antes dos 90 dias garante melhor recuperação?

Não. O período é favorável, mas o resultado depende da gravidade, da lesão, das funções preservadas, da dose, do conteúdo do treinamento e das condições clínicas.

Depois dos 90 dias a recuperação fica muito mais difícil?

A velocidade pode mudar e a influência da recuperação espontânea tende a diminuir. Isso não significa ausência de ganhos: aprendizagem, prática e adaptação continuam relevantes.

É possível recuperar movimentos depois de seis meses?

Sim, ganhos motores e funcionais podem ocorrer na fase crônica. A magnitude varia entre indivíduos, e o tratamento precisa ser orientado pelos déficits e objetivos atuais.

Quanto de fisioterapia deve ser feito nos primeiros meses?

Não existe uma dose única adequada para todos. O NICE recomenda, para pessoas capazes de participar, pelo menos três horas diárias de reabilitação multidisciplinar em cinco dias da semana, adaptadas às necessidades, objetivos e condições clínicas.

Conclusão: 90 dias são uma janela importante, não uma contagem regressiva

Os primeiros 90 dias depois de um AVC realmente merecem atenção especial.

É um período em que a recuperação neurológica espontânea possui grande influência e em que existem sinais de maior sensibilidade a determinados treinamentos.

Mas transformar essa informação em “tudo precisa acontecer em três meses” cria uma expectativa equivocada.

A boa reabilitação não é uma corrida para acumular exercícios antes do 91º dia.

É um processo de identificar prioridades, oferecer a dose adequada, treinar funções relevantes, medir a evolução e adaptar o programa conforme a pessoa muda.

Por isso, a pergunta mais útil talvez não seja: “Quanto tempo ainda temos?”, mas: “O que precisa ser treinado agora para aproveitar da melhor forma esta fase da recuperação?”

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